terça-feira, maio 30, 2006
O trambique desce redondo
Suspeito de que pouca gente tenha prestado atenção ao retrato acabado do brasileiro que está no ar nos comerciais, embutido em anúncio da cerveja Skol. Para quem não viu ou não prestou atenção, um resumo: um torcedor brasileiro vê a Argentina jogar contra o Brasil e, latinha de cerveja na mão, diz que, com a Skol, tudo desce redondo, inclusive o jogo. A partir daí, as traves ficam redondas e móveis. Sempre que a Argentina está para marcar um gol, elas saem da posição egulamentar, e o gol é perdido. É a sacramentação pública do trambique, da falta de respeito às regras, regrinhas simples, básicas. Quando se festeja a quebra de uma regra, fica implícito que todas podem ser quebradas -e usualmente o são no Brasil. É a apologia do crime, pequeno crime, mas crime, como os brasileiros praticamos diariamente ao invadir a faixa do pedestre, ao ultrapassar pela direita, ao estacionar em fila dupla, ao subornar o guarda para evitar a multa. Fico na lista de pequenos crimes para não aporrinhar o leitor com os grandes crimes que ele lê todo santo dia, não só nas páginas policiais mas também (ou principalmente) nas páginas políticas. Note o leitor que estamos falando de futebol, uma das raríssimas atividades em que o brasileiro é universalmente competitivo. Não precisa de traves móveis para ganhar da Argentina ou de quem quer que seja. Mas o espírito do malandro cretino é esse mesmo: melhor sem esforço, com ajuda da maracutaia, do que empenhar-se para fazer valer o talento natural. Note também que estamos falando de publicidade, outro ramo em que o brasileiro é com folga dos melhores do mundo. Se os melhores louvam o trambique, os medianos e os piores farão o quê? Aderir ao PCC, lógico.
terça-feira, maio 16, 2006
Profissional de computação "passeia" por várias áreas
A culpa é deles. Claro que não estão sozinhos na empreitada, mas são um dos responsáveis pela quantidade --e qualidade-- de tecnologia que nos cerca. O cientista da computação está presente nos mais diversos setores da produção, da agricultura à música.
Criador de softwares (programas para computadores, como editores de imagens ou de sons), o bacharel em ciência da computação é a pessoa que faz, ao lado de quem cursou engenharia da computação ou sistema de informação, a migração de métodos manuais de trabalho para a informatização e a automação.
"Hoje, como tudo envolve computação, comunicação e informação, o campo de atividade é variado. Pode-se trabalhar com jogos eletrônicos, com softwares para celular, para equipamentos eletrônicos, para lojas, com sistemas médicos e com som e imagens digitais", enumera Roberto Ferrari, coordenador do curso de ciência da computação da UFSCar.
Dentre todas essas possibilidades, o cientista da computação Rafael Piccolo, 24, conseguiu uma vaga no mercado de trabalho em uma empresa que desenvolve softwares para a área de saúde.
De acordo com ele, os programas que desenvolve controlam da entrada do paciente no hospital à folha de pagamento. "É um software que faz tudo isso, mas cada área do hospital tem acesso para entrar apenas no seu setor. Quem programa isso é o cientista da computação", afirma Piccolo.
Mas a tarefa de espalhar a tecnologia para todos os cantos não é restrita ao cientista da computação. A revolução digital conta também com outros paladinos, como o engenheiro da computação e o profissional graduado em sistema de informação. "Só com a formação de bons profissionais é que melhoraremos a qualidade do software brasileiro", diz Maurício Nacib Pontuschka, coordenador do curso na PUC-SP.
Em uma analogia à indústria automobilística, segundo Edson Norberto Cáceres, diretor de Educação da Sociedade Brasileira de Computação, o cientista e o engenheiro projetam o carro, já quem cursou sistema de informação monta o veículo.
Formação
O contato estreito com computadores, na maioria das vezes, é um dos principais fatores que levam os estudantes ao curso de ciência da computação. No entanto vale um alerta feito por professores da área: na graduação, não basta apenas gostar de computadores, é necessário muita habilidade em matemática.
"Na UFSCar, os alunos estudam matemática nos três primeiros semestres. Isso os ajuda a desenvolver o raciocínio abstrato, auxilia no desenvolvimento de programas e no estudo da computação gráfica", afirma Ferrari.
A matemática, principal arma do cientista da computação, é também uma armadilha para os universitários. Por causa dela, muitos estudantes desistem do curso. "A desistência é alta, porque eles sabem que sem a matemática não dá para ser um bom profissional", diz Cáceres.
Em compensação, aqueles que superam os entraves com a disciplina e se formam obtêm uma renda inicial, na capital paulista, de R$ 2.500, em média.
Criador de softwares (programas para computadores, como editores de imagens ou de sons), o bacharel em ciência da computação é a pessoa que faz, ao lado de quem cursou engenharia da computação ou sistema de informação, a migração de métodos manuais de trabalho para a informatização e a automação.
"Hoje, como tudo envolve computação, comunicação e informação, o campo de atividade é variado. Pode-se trabalhar com jogos eletrônicos, com softwares para celular, para equipamentos eletrônicos, para lojas, com sistemas médicos e com som e imagens digitais", enumera Roberto Ferrari, coordenador do curso de ciência da computação da UFSCar.
Dentre todas essas possibilidades, o cientista da computação Rafael Piccolo, 24, conseguiu uma vaga no mercado de trabalho em uma empresa que desenvolve softwares para a área de saúde.
De acordo com ele, os programas que desenvolve controlam da entrada do paciente no hospital à folha de pagamento. "É um software que faz tudo isso, mas cada área do hospital tem acesso para entrar apenas no seu setor. Quem programa isso é o cientista da computação", afirma Piccolo.
Mas a tarefa de espalhar a tecnologia para todos os cantos não é restrita ao cientista da computação. A revolução digital conta também com outros paladinos, como o engenheiro da computação e o profissional graduado em sistema de informação. "Só com a formação de bons profissionais é que melhoraremos a qualidade do software brasileiro", diz Maurício Nacib Pontuschka, coordenador do curso na PUC-SP.
Em uma analogia à indústria automobilística, segundo Edson Norberto Cáceres, diretor de Educação da Sociedade Brasileira de Computação, o cientista e o engenheiro projetam o carro, já quem cursou sistema de informação monta o veículo.
Formação
O contato estreito com computadores, na maioria das vezes, é um dos principais fatores que levam os estudantes ao curso de ciência da computação. No entanto vale um alerta feito por professores da área: na graduação, não basta apenas gostar de computadores, é necessário muita habilidade em matemática.
"Na UFSCar, os alunos estudam matemática nos três primeiros semestres. Isso os ajuda a desenvolver o raciocínio abstrato, auxilia no desenvolvimento de programas e no estudo da computação gráfica", afirma Ferrari.
A matemática, principal arma do cientista da computação, é também uma armadilha para os universitários. Por causa dela, muitos estudantes desistem do curso. "A desistência é alta, porque eles sabem que sem a matemática não dá para ser um bom profissional", diz Cáceres.
Em compensação, aqueles que superam os entraves com a disciplina e se formam obtêm uma renda inicial, na capital paulista, de R$ 2.500, em média.
segunda-feira, maio 15, 2006
Novo tipo de casa na árvore

A companhia de design britânica Sybarite desenvolveu o conceito de uma casa na árvore modular que, segundo a empresa, poderia encorajar uma maneira mais natural de se viver. O plano é pré-fabricar módulos da casa, oferecendo a opção entre uma moradia de apenas um quarto ou seguir adicionando novos módulos até uma residência de cinco quartos.
A idéia da casa na árvore é baseada num conceito ecológico segundo o qual materiais leves recicláveis são utilizados na construção da residência, que fica situada no alto das árvores. Sob a casa, haveria o que a companhia chama "deflatores cinéticos ondulantes", que usam o poder do vento para gerar energia.



quinta-feira, maio 11, 2006
Sutiã e taxa de natalidade
Uma empresa japonesa de lingerie lançou sutiã para estimular a, digamos, reprodução humana. A peça é parte de uma campanha denominada "Acabe com a queda da taxa de natalidade" e traz imagens de crianças tomando conta de idosos.Defendo a nobre causa, mas acho que um modelo com rendas e transparências pode ser muito mais eficiente para estimular a reprodução... rsrsrs
segunda-feira, maio 08, 2006
duas sociedades
"Vivemos duas sociedades. A da informação, que privilegia o racionalismo, pragmatismo, conforto físico e inteligência racional. Outra, a existencial, valoriza histórias vividas, emoções individuais, conforto espiritual e inteligência emocional."
terça-feira, abril 18, 2006
My Office 2.0 Setup
A lista completa e mais detalhada pode ser encontrada em http://itredux.com/office-20/database/
terça-feira, abril 04, 2006
domingo, março 19, 2006
As esquerdas e o ódio aos eucaliptos
As esquerdas odeiam eucaliptos . Descobri isto há uns bons trinta anos. Eu vivia em Florianópolis e passeava pela ilha com uma amiga que havia descoberto o marxismo, depois de velha, em Berlim. Ao passarmos por um "caliperal", como dizem os ilhéus, ela me bombardeou com invectivas contra os eucaliptos. Que era uma árvore alienígena, que destruía a flora nativa, que destruía a agricultura, só faltou dizer que era uma árvore imperialista. Eu, que havia nascido sob frondes amigas de eucaliptos, que sinto cheiro de infância quando esmago folhas de eucalipto nas mãos, estava perplexo. Seu ódio aos eucaliptos nascera em Berlim, nos anos 70. Não por acaso, na época em que a pasta de celulose derivada do eucalipto surgira pela primeira vez em escala industrial. Em conversas ocasionais com gente de esquerda, sempre constatei esta ojeriza aos eucaliptos. Antes de a indústria da celulose tê-los descoberto, ninguém os odiava.
Duas mil mulheres de um movimento ligado ao MST, o tal de Via Campesina, comemoraram o Dia Internacional da Mulher destruindo um laboratório e um viveiro de mudas de eucaliptos da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS). Vinte anos de pesquisa e alguns milhões de dólares foram jogados ao lixo. Último resquício aguerrido de um marxismo que já é cadáver em países desenvolvidos, o MST desde há muito tenta empurrar o País rumo às trevas dos regimes comunistas. As viúvas do comunismo alegam que o eucalipto estaria transformando o campo em um deserto verde. O oxímoro é típico de europeu, que não conhece a geografia do Sul. A pampa gaúcha, uruguaia e argentina sempre foi um deserto verde e jamais ocorreu a celerado algum destruir a pampa. Felizes os povos que desfrutam de desertos verdes.
Não por acaso, assessoravam as invasoras representantes da Noruega, Canadá e Indonésia, mais um representante do País Basco, que atende pelo basquíssimo nome de Paul Nicholson. Em Porto Alegre, planejaram a depredação hospedados no hotel Sheraton, sob as barbas do governo gaúcho, ora ocupado interinamente por um arrivista oriundo do PT, que nada fez nem nada fará para punir os apparatchicks estrangeiros. Mas que têm a ver estes senhores das antípodas com pesquisas sobre eucaliptos no Rio Grande do Sul?
Antes da resposta, ouçamos o deputado marxista Roberto Freire, para quem o MST pode ser tudo, menos comunista. "O comunismo é filho do iluminismo, uma corrente de pensamento que acredita no progresso da ciência como forma de minorar os males da humanidade. Destruir lavouras experimentais e laboratórios científicos nada mais é do que obscurantismo."
O deputado mente descaradamente. O marxismo sempre foi inimigo da ciência e do progresso da ciência. Roberto Freire não nasceu ontem e sabe muito bem quem foi Trofime Denisovitch Lyssenko, o agrônomo que pretendeu submeter os genes ao pensamento dialético de Marx. Através de experiências truncadas com pinheiros e rutabagas, proclamou que a aparição de caracteres novos transmitidos pelo organismo à sua descendência depende do meio, isto é, que os caracteres específicos adquiridos podem ser deliberadamente transmitidos. Sua ascensão foi imediata e ele se tornou presidente da Academia de Ciências Agronômicas. A ciência se divide então entre ciência burguesa e proletária. Finalmente a genética fora liberada do império da política reacionária. Os "mencheviques idealistas" que não aprovavam os resultados foram excluídos da Academia, transferidos e mesmo deportados para a Sibéria. A menos que reconhecessem publicamente seus erros. Stalin reconheceu o embuste como verdade de Estado e os comunistas de todos os países do mundo adotaram os absurdos de Lyssenko como artigos de fé. Pena que os gens não estavam de acordo com a doutrina de Lyssenko. A agricultura soviética nos anos 40 foi pras cucuias.
Filho do iluminismo terá sido também o marxismo de Mao Tse Tung, que promoveu nos anos 60 a "grande caçada aos pardais". Segundo o Grande Timoneiro, o pardal seria o vilão das deficiências da agricultura chinesa. A brilhante mente científica de Mao ordenou a milhões de chineses que perseguissem os pardais batendo latas e tambores, para que não repousassem um segundo, o que os levou à morte por exaustão. Com o pássaro quase extinto, os insetos aproveitaram o campo livre e destruíram a lavoura. A fome se abateu sobre a China provocando a morte de milhões de chineses.
Que não venham velhos comunistas falar de filiações iluministas. O marxismo, como toda religião dogmática, sempre foi hostil à ciência. Prova disto são as constantes invasões e depredações de laboratórios e culturas transgênicas promovidas pelo MST. Métodos científicos sempre facilitarão a agricultura, exatamente o que os comunistas não querem, para não perder a bandeira.
Volto aos eucaliptos. Entre as espécies utilizadas para a produção de celulose, o eucalipto é hoje a mais rentável. Seu ciclo de crescimento é de sete anos, em contraposição às coníferas do litoral americano, que levam quase um século para amadurecer. O choupo, outra matéria-prima da celulose americana e canadense, só atinge sua altura plena após 15 anos. Se as florestas dos Estados Unidos rendem entre dois e três metros cúbicos madeira por ano, as cultivadas pela Aracruz rendem, no mesmo período, 45 metros cúbicos. Ou seja, a indústria da celulose a partir do eucalipto é extremamente competitiva.
Em outubro do ano passado, cerca de 300 índios tupiniquins e guaranis, reivindicando terras indígenas, ocuparam três fábricas da Aracruz Celulose S/A, em Aracruz, ES. Para dar apoio a justa causa índigena, um ônibus com estudantes saiu da Universidade Federal do Espírito Santo, entre eles – atenção! – dez noruegueses. Sobre a depredação do centro de pesquisas gaúcho, disse o "basco" Paul Nicholson: "As mulheres da Via Campesina se mobilizaram em Porto Alegre contra o modelo de agricultura neoliberal e da monocultura".
Vamos a alguns fatos. Segundo a FAO, a produção mundial de celulose atingiu 162 milhões de toneladas em 1999. Estados Unidos e o Canadá responderam com 52% do total produzido. A Noruega hoje exporta cerca de 90% de sua produção de celulose e papel. A Indonésia, principal exportador de celulose de fibra curta da Ásia, tem 70% de seu território coberto por florestas, num total de 143,9 milhões de hectares. Não me parece necessário ter a intuição de um Sherlock para perceber porque um "basco" chamado Paul Nicholson, mais representantes do Canadá, Noruega e Indonésia, coordenam a depredação do laboratório gaúcho. Desde há muito instituições católicas européias – Misereor e Caritas, entre outras – vêm financiando o MST para destruir a estrutura agrária do País. Agora são os cartéis do papel que injetam recursos na guerrilha católico-marxista brasileira para destruir uma indústria que representa cerca de 5% de nosso PIB e dá emprego a 2 milhões de pessoas.
Segundo Aurélio Mendes Aguiar, pesquisador da Aracruz, foram destruídos no ataque dezesseis clones de alta produtividade, duas mil mudas de pesquisa que seriam testadas nos próximos quinze dias, cerca de 50 matrizes (as plantas de melhor qualidade genética, selecionadas para cruzamentos), além de um milhão de mudas comerciais. O banco de germoplasma do laboratório, biblioteca biológica onde são preservadas as sementes para uso em melhoramento, também foi destruído. "Se fôssemos realizar todos os cruzamentos de novo, levaria no mínimo cinco ou seis anos. Alguns nunca mais serão possíveis, porque as matrizes não existem mais", diz Aguiar.
Antônio Hohlfeldt, governador em exercício do Rio Grande do Sul, qualificou o ato de "provocação e bandidagem". E nisto ficamos. O pusilânime governador xinga os bandoleiros, aliás financiados por seu próprio governo e pelo governo federal, e dá por cumprido seu dever. Por este atentado contra a pesquisa científica ninguém será punido. Palavra de velho petista.
Os depredadores da Aracruz foram coerentes com a boa doutrina marxista. Abaixo a ciência! Longa vida – e muitas verbas estatais – ao obscurantismo!
Duas mil mulheres de um movimento ligado ao MST, o tal de Via Campesina, comemoraram o Dia Internacional da Mulher destruindo um laboratório e um viveiro de mudas de eucaliptos da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS). Vinte anos de pesquisa e alguns milhões de dólares foram jogados ao lixo. Último resquício aguerrido de um marxismo que já é cadáver em países desenvolvidos, o MST desde há muito tenta empurrar o País rumo às trevas dos regimes comunistas. As viúvas do comunismo alegam que o eucalipto estaria transformando o campo em um deserto verde. O oxímoro é típico de europeu, que não conhece a geografia do Sul. A pampa gaúcha, uruguaia e argentina sempre foi um deserto verde e jamais ocorreu a celerado algum destruir a pampa. Felizes os povos que desfrutam de desertos verdes.
Não por acaso, assessoravam as invasoras representantes da Noruega, Canadá e Indonésia, mais um representante do País Basco, que atende pelo basquíssimo nome de Paul Nicholson. Em Porto Alegre, planejaram a depredação hospedados no hotel Sheraton, sob as barbas do governo gaúcho, ora ocupado interinamente por um arrivista oriundo do PT, que nada fez nem nada fará para punir os apparatchicks estrangeiros. Mas que têm a ver estes senhores das antípodas com pesquisas sobre eucaliptos no Rio Grande do Sul?
Antes da resposta, ouçamos o deputado marxista Roberto Freire, para quem o MST pode ser tudo, menos comunista. "O comunismo é filho do iluminismo, uma corrente de pensamento que acredita no progresso da ciência como forma de minorar os males da humanidade. Destruir lavouras experimentais e laboratórios científicos nada mais é do que obscurantismo."
O deputado mente descaradamente. O marxismo sempre foi inimigo da ciência e do progresso da ciência. Roberto Freire não nasceu ontem e sabe muito bem quem foi Trofime Denisovitch Lyssenko, o agrônomo que pretendeu submeter os genes ao pensamento dialético de Marx. Através de experiências truncadas com pinheiros e rutabagas, proclamou que a aparição de caracteres novos transmitidos pelo organismo à sua descendência depende do meio, isto é, que os caracteres específicos adquiridos podem ser deliberadamente transmitidos. Sua ascensão foi imediata e ele se tornou presidente da Academia de Ciências Agronômicas. A ciência se divide então entre ciência burguesa e proletária. Finalmente a genética fora liberada do império da política reacionária. Os "mencheviques idealistas" que não aprovavam os resultados foram excluídos da Academia, transferidos e mesmo deportados para a Sibéria. A menos que reconhecessem publicamente seus erros. Stalin reconheceu o embuste como verdade de Estado e os comunistas de todos os países do mundo adotaram os absurdos de Lyssenko como artigos de fé. Pena que os gens não estavam de acordo com a doutrina de Lyssenko. A agricultura soviética nos anos 40 foi pras cucuias.
Filho do iluminismo terá sido também o marxismo de Mao Tse Tung, que promoveu nos anos 60 a "grande caçada aos pardais". Segundo o Grande Timoneiro, o pardal seria o vilão das deficiências da agricultura chinesa. A brilhante mente científica de Mao ordenou a milhões de chineses que perseguissem os pardais batendo latas e tambores, para que não repousassem um segundo, o que os levou à morte por exaustão. Com o pássaro quase extinto, os insetos aproveitaram o campo livre e destruíram a lavoura. A fome se abateu sobre a China provocando a morte de milhões de chineses.
Que não venham velhos comunistas falar de filiações iluministas. O marxismo, como toda religião dogmática, sempre foi hostil à ciência. Prova disto são as constantes invasões e depredações de laboratórios e culturas transgênicas promovidas pelo MST. Métodos científicos sempre facilitarão a agricultura, exatamente o que os comunistas não querem, para não perder a bandeira.
Volto aos eucaliptos. Entre as espécies utilizadas para a produção de celulose, o eucalipto é hoje a mais rentável. Seu ciclo de crescimento é de sete anos, em contraposição às coníferas do litoral americano, que levam quase um século para amadurecer. O choupo, outra matéria-prima da celulose americana e canadense, só atinge sua altura plena após 15 anos. Se as florestas dos Estados Unidos rendem entre dois e três metros cúbicos madeira por ano, as cultivadas pela Aracruz rendem, no mesmo período, 45 metros cúbicos. Ou seja, a indústria da celulose a partir do eucalipto é extremamente competitiva.
Em outubro do ano passado, cerca de 300 índios tupiniquins e guaranis, reivindicando terras indígenas, ocuparam três fábricas da Aracruz Celulose S/A, em Aracruz, ES. Para dar apoio a justa causa índigena, um ônibus com estudantes saiu da Universidade Federal do Espírito Santo, entre eles – atenção! – dez noruegueses. Sobre a depredação do centro de pesquisas gaúcho, disse o "basco" Paul Nicholson: "As mulheres da Via Campesina se mobilizaram em Porto Alegre contra o modelo de agricultura neoliberal e da monocultura".
Vamos a alguns fatos. Segundo a FAO, a produção mundial de celulose atingiu 162 milhões de toneladas em 1999. Estados Unidos e o Canadá responderam com 52% do total produzido. A Noruega hoje exporta cerca de 90% de sua produção de celulose e papel. A Indonésia, principal exportador de celulose de fibra curta da Ásia, tem 70% de seu território coberto por florestas, num total de 143,9 milhões de hectares. Não me parece necessário ter a intuição de um Sherlock para perceber porque um "basco" chamado Paul Nicholson, mais representantes do Canadá, Noruega e Indonésia, coordenam a depredação do laboratório gaúcho. Desde há muito instituições católicas européias – Misereor e Caritas, entre outras – vêm financiando o MST para destruir a estrutura agrária do País. Agora são os cartéis do papel que injetam recursos na guerrilha católico-marxista brasileira para destruir uma indústria que representa cerca de 5% de nosso PIB e dá emprego a 2 milhões de pessoas.
Segundo Aurélio Mendes Aguiar, pesquisador da Aracruz, foram destruídos no ataque dezesseis clones de alta produtividade, duas mil mudas de pesquisa que seriam testadas nos próximos quinze dias, cerca de 50 matrizes (as plantas de melhor qualidade genética, selecionadas para cruzamentos), além de um milhão de mudas comerciais. O banco de germoplasma do laboratório, biblioteca biológica onde são preservadas as sementes para uso em melhoramento, também foi destruído. "Se fôssemos realizar todos os cruzamentos de novo, levaria no mínimo cinco ou seis anos. Alguns nunca mais serão possíveis, porque as matrizes não existem mais", diz Aguiar.
Antônio Hohlfeldt, governador em exercício do Rio Grande do Sul, qualificou o ato de "provocação e bandidagem". E nisto ficamos. O pusilânime governador xinga os bandoleiros, aliás financiados por seu próprio governo e pelo governo federal, e dá por cumprido seu dever. Por este atentado contra a pesquisa científica ninguém será punido. Palavra de velho petista.
Os depredadores da Aracruz foram coerentes com a boa doutrina marxista. Abaixo a ciência! Longa vida – e muitas verbas estatais – ao obscurantismo!
quinta-feira, março 16, 2006
Carver One





| Performance | |
| Top speed | 185 km/h (115 mph) |
| Acceleration | 0-100 km/h (60 mph) in 8.2 s |
| Max. tilt angle | 45° |
| Max. tilt speed | 85°/s |
| Turning circle (curb to curb) | 9.5 m |
| Fuel consumption (estimated average) | 6 L / 100 km (1:16 - 45 UK mpg - 40 US mpg) |
| Engine (*) | |
| Cylinders/valves | 4 cylinder 16 valve turbo intercooler |
| Displacement | 659 cc |
| Cooling | water-cooled |
| Max. power | 50 kW (68 bhp) at 6,000 rpm |
| Max. torque | 100 Nm (74 lb.ft) at 3,200 rpm |
| Transmission | 5-speed manual & reverse |
| Fuel | lead-free EURO |
| Emission system | catalytic converter with oxygen sensor |
| Electrical system | 14 V/32 A alternator, Volts 12 V / 30 Ah battery |
| Ignition | ECU multipoint injection with knock sensor – |
| firing order 1-3-4-2 | |
| Emissions | |
| CO2 | 176.72 g/km |
| CO | 3.19 g/km |
| HC | 0.23 g/km |
| NOx | 0.08 g/km |
| HC + NOx | 0.31 g/km |
| Wheels, tyres, suspension and brakes | |
| Wheels | double 5-spoke alloy |
| front 17" | |
| rear 15" | |
| Tyres | front 140/70 |
| rear 195/45 | |
| Brakes | discs on all wheels |
| Front suspension | single-arm with hydraulic shock absorption |
| Rear suspension | McPherson suspension with rear-wheel steering |
| Dimensions | |
| Length | 3.40 m |
| Heigth | 1.40 m |
| Width (tilt angle ≤ 25°) | 1.30 m |
| Width (max. tilt angle) | 1.60 m |
| Wheel base | 2.65 m |
| Fuel tank capacity | 32 L |
| Empty weight | 670 kg (1,477 lb) |
(*) The table above deta
terça-feira, março 14, 2006
Moto de uma roda
A companhia canadense Bombardier, concorrente da Embraer na produção de aeronaves, divulgou o lançamento de um protótipo de moto com uma roda só, a Bombardier's Embrio. Ainda não se sabe se a invenção irá efetivamente se tornar um produto.

A moto usa tecnologia giroscópica para que os motoristas consigam ter equilíbrio. O veículo foi desenhado como uma previsão sobre como serão os meios de transporte no ano de 2025. Quando parada, a moto fica equilibrada devido a pequenas rodas dianteiras que se abrem e se apóiam no chão, semelhantes ao trem de aterrissagem de aeronaves.
A Bombardier's Embrio é abastecida com combustível composto por células de hidrogênio, uma tecnologia que cria potência a partir da mistura de hidrogênio e oxigênio.
O novo veículo também utiliza outros avanços tecnológicos já usados nos carros, como visão infravermelha e sistemas de amortecimento. A posição para dirigir é a mesma que em uma moto comum.
A Embrio pode ser usada por um ou mais passageiros, já que a rede de sensores de giroscópios se adaptam facilmente. Feita de materiais leves - como alumínio, magnésio e nylon - a moto pesa cerca de 160 quilos.
A companhia canadense Bombardier, concorrente da Embraer na produção de aeronaves, divulgou o lançamento de um protótipo de moto com uma roda só, a Bombardier's Embrio. Ainda não se sabe se a invenção irá efetivamente se tornar um produto.
A moto usa tecnologia giroscópica para que os motoristas consigam ter equilíbrio. O veículo foi desenhado como uma previsão sobre como serão os meios de transporte no ano de 2025. Quando parada, a moto fica equilibrada devido a pequenas rodas dianteiras que se abrem e se apóiam no chão, semelhantes ao trem de aterrissagem de aeronaves.
A Bombardier's Embrio é abastecida com combustível composto por células de hidrogênio, uma tecnologia que cria potência a partir da mistura de hidrogênio e oxigênio.
O novo veículo também utiliza outros avanços tecnológicos já usados nos carros, como visão infravermelha e sistemas de amortecimento. A posição para dirigir é a mesma que em uma moto comum.
A Embrio pode ser usada por um ou mais passageiros, já que a rede de sensores de giroscópios se adaptam facilmente. Feita de materiais leves - como alumínio, magnésio e nylon - a moto pesa cerca de 160 quilos.
A moto usa tecnologia giroscópica para que os motoristas consigam ter equilíbrio. O veículo foi desenhado como uma previsão sobre como serão os meios de transporte no ano de 2025. Quando parada, a moto fica equilibrada devido a pequenas rodas dianteiras que se abrem e se apóiam no chão, semelhantes ao trem de aterrissagem de aeronaves.
A Bombardier's Embrio é abastecida com combustível composto por células de hidrogênio, uma tecnologia que cria potência a partir da mistura de hidrogênio e oxigênio.
O novo veículo também utiliza outros avanços tecnológicos já usados nos carros, como visão infravermelha e sistemas de amortecimento. A posição para dirigir é a mesma que em uma moto comum.

A Embrio pode ser usada por um ou mais passageiros, já que a rede de sensores de giroscópios se adaptam facilmente. Feita de materiais leves - como alumínio, magnésio e nylon - a moto pesa cerca de 160 quilos.
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Cursos para ensinar homens a serem infiéis
Um homem de 28 anos começou a ministrar cursos em Tel Aviv para ensinar homens de 18 a 70 anos a serem infiéis, informa hoje o jornal israelense "Ma´ariv".
Para este peculiar docente, identificado pelo jornal como professor Denis, o importante é não chamar a infidelidade de "traição", para evitar que tenha conotações negativas e aflore o sentimento de culpa no adúltero.
Outra recomendação dada a seus alunos é "saber com quem ser infiel" e "escolher mulheres que não vejam problema".
Também se deve, para não ter complicações, "manter distância entre a mulher e a amante", afirma o professor Denis ao jornal.
"Sua mulher deve vir de um mundo e sua amante de outro, por isso deve evitar o encontro entre esses dois mundos", aconselha o professor Denis, cujo curso integra um mais amplo que tem como objetivo ter sucesso com as mulheres.
Seus alunos pagam 800 "shekels" (cerca de US$ 160) pelo curso, que tem quatro sessões de 40 minutos cada uma. Os grupos têm entre 10 e 20 "estudantes" cada um.
O homem infiel também tem que observar certas regras, como a de "não dar importância à traição", ser discreto e saber que "se for descoberto é porque ele quis", afirma o jornal.
Para este peculiar docente, identificado pelo jornal como professor Denis, o importante é não chamar a infidelidade de "traição", para evitar que tenha conotações negativas e aflore o sentimento de culpa no adúltero.
Outra recomendação dada a seus alunos é "saber com quem ser infiel" e "escolher mulheres que não vejam problema".
Também se deve, para não ter complicações, "manter distância entre a mulher e a amante", afirma o professor Denis ao jornal.
"Sua mulher deve vir de um mundo e sua amante de outro, por isso deve evitar o encontro entre esses dois mundos", aconselha o professor Denis, cujo curso integra um mais amplo que tem como objetivo ter sucesso com as mulheres.
Seus alunos pagam 800 "shekels" (cerca de US$ 160) pelo curso, que tem quatro sessões de 40 minutos cada uma. Os grupos têm entre 10 e 20 "estudantes" cada um.
O homem infiel também tem que observar certas regras, como a de "não dar importância à traição", ser discreto e saber que "se for descoberto é porque ele quis", afirma o jornal.
TV Digital: colocando lenha na fogueira
Estamos no meio de um enorme tiroteio; tudo por causa da definição do padrão da TV Digital brasileira. Ela está provocando uma discussão sem precedentes na história da mídia. Mas não é para menos, pois os investimentos necessários para a completa transformação da TV analógica para digital serão de 100 bilhões de dólares no Brasil, considerando emissoras e usuários.
Quem acelerou a discussão foi o próprio governo, que afirmou que irá definir, ainda em fevereiro, o padrão da TV Digital e marcou o início das transmissões para dia 7 de setembro próximo.
Existem três modelos em avaliação. O ATSC americano, o DVB europeu e o ISDB japonês. No começo das negociações, existiu por aqui, até um quarto modelo, o padrão brasileiro, que foi abortado.
Nosso ministro das Comunicações, Hélio Costa, começou a se posicionar a favor do padrão japonês e criou com isto um sentimento de perda junto aos proprietários dos outros sistemas. Há quem diga que o ministro estava defendendo os interesses das grandes emissoras de televisão brasileiras, mas até algumas delas se posicionaram contra o padrão japonês.
A diferença entre eles é bem pequena, mas o ISDB japonês permitiria a mobilidade e mais do que isto, o roaming da programação.
Aqui acredito que está o cerne da questão; pois se uma geradora operasse por roaming, ela não precisaria, necessariamente, de emissoras afiliadas, pois seu sinal poderia ser captado em todo território nacional. É claro que isto muda todo o modelo da televisão brasileira, mas a convergência da mídia com a tecnologia é isto mesmo; um caos para os processos tradicionais.
Tive o privilégio de promover, como presidente da AMI - Associação de Mídia Interativa, uma palestra em 1999, com o maior especialista do padrão japonês, foi uma palestra no Centro Cultural Itaú, em São Paulo. Lá, vimos que o software japonês baseado no MPEG4 permite mais compressão digital. Muitas emissoras presentes optaram lá mesmo por este modelo.
A complexidade é tal, que a U.S. Federal Communications Commission - a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dos Estados Unidos - deu um prazo até 2009 para que o sinal convencional VHF das emissoras tradicionais saia do ar. Com isto nenhum aparelho de TV vai pegar os canais de 2 a 13.
A digitalização vai trazer também o t-commerce. Mas para isto, será necessária interatividade que pode se dar de várias maneiras.
E novamente o ministro Hélio Costa nos surpreende, afirmando que o retorno se dará por WiMax. Ora, WiMax é Internet em banda larga na rua. Um projeto idealizado pela Intel e que já conta com a adesão da TVA, que transformará sua antiga TV por assinatura em MMDS, em WiMax. O projeto inclusive conta com investimentos de US$ 100 milhões pela Sansung.
Se a transmissão voltará por WiMax, por que não ir por WiMax? Pessoal, isto seria a chamada IPTV, que o mundo deseja tanto. Observem que o próprio Bill Gates já disse que a TV tradicional vai sair de moda. Ele inclusive propôs recentemente que o FCC abandonasse todos os modelos de TV Digital conhecidos e que assumissem a TV over IP.
Quem acelerou a discussão foi o próprio governo, que afirmou que irá definir, ainda em fevereiro, o padrão da TV Digital e marcou o início das transmissões para dia 7 de setembro próximo.
Existem três modelos em avaliação. O ATSC americano, o DVB europeu e o ISDB japonês. No começo das negociações, existiu por aqui, até um quarto modelo, o padrão brasileiro, que foi abortado.
Nosso ministro das Comunicações, Hélio Costa, começou a se posicionar a favor do padrão japonês e criou com isto um sentimento de perda junto aos proprietários dos outros sistemas. Há quem diga que o ministro estava defendendo os interesses das grandes emissoras de televisão brasileiras, mas até algumas delas se posicionaram contra o padrão japonês.
A diferença entre eles é bem pequena, mas o ISDB japonês permitiria a mobilidade e mais do que isto, o roaming da programação.
Aqui acredito que está o cerne da questão; pois se uma geradora operasse por roaming, ela não precisaria, necessariamente, de emissoras afiliadas, pois seu sinal poderia ser captado em todo território nacional. É claro que isto muda todo o modelo da televisão brasileira, mas a convergência da mídia com a tecnologia é isto mesmo; um caos para os processos tradicionais.
Tive o privilégio de promover, como presidente da AMI - Associação de Mídia Interativa, uma palestra em 1999, com o maior especialista do padrão japonês, foi uma palestra no Centro Cultural Itaú, em São Paulo. Lá, vimos que o software japonês baseado no MPEG4 permite mais compressão digital. Muitas emissoras presentes optaram lá mesmo por este modelo.
A complexidade é tal, que a U.S. Federal Communications Commission - a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dos Estados Unidos - deu um prazo até 2009 para que o sinal convencional VHF das emissoras tradicionais saia do ar. Com isto nenhum aparelho de TV vai pegar os canais de 2 a 13.
A digitalização vai trazer também o t-commerce. Mas para isto, será necessária interatividade que pode se dar de várias maneiras.
E novamente o ministro Hélio Costa nos surpreende, afirmando que o retorno se dará por WiMax. Ora, WiMax é Internet em banda larga na rua. Um projeto idealizado pela Intel e que já conta com a adesão da TVA, que transformará sua antiga TV por assinatura em MMDS, em WiMax. O projeto inclusive conta com investimentos de US$ 100 milhões pela Sansung.
Se a transmissão voltará por WiMax, por que não ir por WiMax? Pessoal, isto seria a chamada IPTV, que o mundo deseja tanto. Observem que o próprio Bill Gates já disse que a TV tradicional vai sair de moda. Ele inclusive propôs recentemente que o FCC abandonasse todos os modelos de TV Digital conhecidos e que assumissem a TV over IP.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Multi Input Touch Screen
A nova tecnologia de multi-input permite que os usuários interajam com um sistema usando mais de um dedo simultaneamente. Uma tela projetada de 36″x27″ pode detectar com extrema definição de 0.1″ em 50Hz, como é mostrado no video acima.
“Our technique is force-sensitive, and provides unprecedented resolution and scalability, allowing us to create sophisticated multi-point widgets for applications large enough to accomodate both hands and multiple users.”
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
A tragédia do estudante sério no Brasil
Olavo de Carvalho
Toda semana, recebo dezenas de cartas de estudantes que, em busca de alguma formação intelectual, encontraram nas universidades que freqüentam apenas propaganda comunista rasteira, porca, subginasiana.
Não são, como em geral imaginam, vítimas de puras circunstâncias políticas imediatas. Gemem sob uma montanha de fatores adversos à inteligência humana, que foram se acumulando no mundo, e não só no Brasil, ao longo das últimas décadas. Se a primeira metade do século XX trouxe um florescimento intelectual incomum, a segunda foi uma devastação geral como raramente se viu na História. A queda foi tão profunda que já não se pode medi-la. Num panorama inteiramente dominado por charlatães caricatos como Noam Chomsky, Richard Dawkins, Edward Said, Jacques Derrida, Julia Kristeva, a época em que floresceram quase que simultaneamente Edmund Husserl, Karl Jaspers, Louis Lavelle, Alfred North Whitehead, Benedetto Croce, Jan Huizinga,
Arnold Toynbee – e na literatura T. S. Eliot, W. B. Yeats, Ezra Pound, Thomas Mann, Franz Kafka, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer – já se tornou invisível, inalcançável à imaginação dos nossos contemporâneos. Toda comparação é entre alguma coisa e alguma outra coisa. Não se pode comparar tudo com nada.
Isso não quer dizer que as fontes do conhecimento tenham secado. Pensadores de grande envergadura – um Eric Voegelin, um Bernard Lonergan, um Xavier Zubiri – sobreviveram à debacle dos anos 60 e continuaram atuantes, o primeiro até 1985, o segundo até 1984, o terceiro até 1983. Mas seus ensinamentos são ainda a posse exclusiva de círculos seletos. Não entram na corrente geral das idéias, nem poderiam entrar sem sujar-se, sem transformar-se em matéria de discussões idiotas como vem acontecendo, graças à ascensão política de alguns de seus discípulos, com o infeliz Leo Strauss.
Pois a desgraça se deu justamente na "corrente geral". O fim da II Guerra Mundial trouxe uma prodigiosa reorganização das bases sociais e econômicas da vida intelectual no mundo. Novas instituições, novas redes de comunicação, novos mecanismos de estocagem e distribuição das informações acadêmicas, novos públicos e, sobretudo, a ampliação inaudita do apoio estatal e privado à cultura e a formação dos grandes organismos internacionais como a ONU e a Unesco. Tudo isso veio junto com o descrédito do marxismo soviético e a profunda mutação interna da militância esquerdista internacional, a essa altura já plenamente imbuída das duas lições aprendidas da Escola de Frankfurt e
de Georg Lukacs (mas também, mais discretamente, de Martin Heidegger):
(1) a luta essencial não era propriamente contra o capitalismo, mas contra "a civilização ocidental";
(2) o agente principal do processo era a classe dos intelectuais.
Nessas condições, o crescimento fabuloso dos meios de atuação veio junto com o esforço multilateral de apropriação desses meios por parte de grupos militantes bem pouco interessados em "compreender o mundo" mas totalmente devotados a "transformá-lo". A redução drástica da atividade intelectual ao ativismo político foi a conseqüência desejada e planejada dessa operação, realizada em escala mundial a partir dos anos 60.
Não que o fenômeno fosse totalmente desconhecido antes disso. Um vasto ensaio geral já vinha sendo realizado nos EUA desde a década de 30 pelo menos, através das grandes fundações "não lucrativas" que descobriram seu poder de orientar e manipular a seu belprazer a atividade intelectual, científica e educacional mediante a simples seleção ideologicamente orientada dos destinatários de suas verbas bilionárias.
Em 1954, uma comissão de investigações do Congresso americano já havia descoberto que fundações como Rockefeller, Carnegie e Ford exerciam controle indevido sobre as universidades, as instituições de pesquisa e a cultura em geral, orientando-as num sentido francamente anti-americano, anticristão e até anticapitalista. (Não me perguntem pela milésima vez com que interesse os grandes capitalistas podem agir contra o capitalismo. A explicação está resumida em http://www.olavodecarvalho.org/semana/040617jt.htm e http://www.olavodecarvalho.org/textos/debate_usp_4.htm.) Inevitavelmente, a influência exercida por essas organizações não consistiu só em introduzir uma determinada cor política na produção cultural, mas em alterá-la e corrompê-la até às raízes, subordinando aos objetivos políticos e publicitários visados todas as exigências de honestidade, veracidade e rigor. Sem essa interferência, fraudes cabeludas como o Relatório Kinsey ou a pseudo-antropologia de Margaret Mead jamais teriam conseguido impor-se ao meio acadêmico e à mídia
cultural como produtos respeitáveis de uma atividade científica normal.
A comissão foi alvo de ataques virulentos de toda a grande mídia, e seu trabalho acabou por ser esquecido, mas ele ainda é uma das melhores fontes de consulta sobre a instrumentalização política da cultura (v. René Wormser, Foundations, Their Power and Influence, New York, Devin-Adair, 1958 – vocês podem comprá-lo pelo site www.bookfinder.com). Na verdade, sem ele não se pode compreender nada do que se passou em seguida, pois o que se passou foi que o experimento tentado em escala americana foi ampliado para o mundo todo: a apropriação dos meios de ação cultural pelas organizações militantes e o sacrifício integral da inteligência humana no altar da "vontade de poder" simplesmente se globalizaram.
Recursos incalculavelmente vastos, que poderiam ter sido utilizados para o progresso do conhecimento e a melhoria da condição de vida da espécie humana foram assim desperdiçados para sustentar a guerra geral da estupidez militante contra a "civilização ocidental" que havia gerado esses mesmos recursos.
Embora esse processo seja de alcance mundial, é claro que o seu peso se fez sentir mais densamente em países novos do Terceiro Mundo, onde as criações das épocas anteriores não tinham sido assimiladas com muita profundidade e as raízes da civilização podiam ser mais facilmente cortadas. No Brasil, da década de 60 em diante, os progressos da barbárie foram talvez mais rápidos do que em qualquer outro lugar, destruindo com espantosa facilidade as sementes de cultura que, embora frágeis, vinham dando alguns frutos promissores. A comparação impossível entre as duas épocas, que mencionei acima, é ainda mais impossível no caso brasileiro. Na década de 50, tínhamos, vivos e atuantes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Àlvaro Lins, Augusto Meyer, Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto Frederico Schmidt, a lista não acaba mais. Hoje, quem representa na mídia a imagem da "cultura brasileira"? Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta, disforme, doente, incalculavemente irrisória.
A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligencia prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia.
Mas não, a inteligência nacional não acabou no dia em que os nossos estudantes tiraram o último lugar numa avaliação entre alunos do curso secundário de 32 países: acabou logo em seguida, quando o ministro da Educação disse que o resultado poderia ter sido pior.
Num sentido mais profundo do que o ministro imaginava, poderia mesmo. Na eleição seguinte, o país colocou na presidência um carreirista enriquecido, de terno Armani e unhas polidas, que, por orgulhar-se de jamais ler livros, foi proclamado um símbolo da autenticidade popular. A imagem era falsa, grotesca e insultuosa, mas ninguém percebeu. Se existe um grau abaixo do grotesco, porém, ele foi atingido logo em seguida, quando o escritor Raymundo Faoro, quanto mais bobo mais celebrado nas esquerdas como inteligência luminosa, sugeriu o nome do então presidenciável para ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Perto disso, tirar o último lugar num teste chegava a ser meritório.
Se o desespero dos estudantes que me escrevem viesse só da situação política, haveria esperança de saná-lo por meio da ação política. Mas a ação política é um subproduto da cultura e, no estado em que as coisas estão, nenhuma ação política inteligente, ao menos em escala federal, é previsível nas próximas duas ou três gerações. Nas próximas eleições, por exemplo, o país terá de optar novamente entre PT e PSDB, isto é, os dois filhotes monstruosos gerados no ventre da USP, a mãe da esterilidade nacional, ou como bem a sintetizou o poeta Bruno Tolentino, a "p... que não pariu". Sim, a política brasileira virou uma imensa assembléia de estudantes da USP, com o Partido Comunista de um lado, a Ação Popular de outro, num torneio de arrogância, presunção, hipocrisia, sadismo mental, mendacidade ilimitada e estupidez sem fim. A USP levou meio século para chegar ao poder, e ainda não parou de gerar pseudo-intelectuais ambiciosos, ávidos de mandar, sedentos de ministérios. Sua obra de destruição está longe de haver-se completado.
Da política nada de bom se pode esperar num prazo humanamente suportável. Uma ação cultural de grande escala – a fundação de uma autêntica instituição de ensino superior, para contrabalançar a desgraça uspiana – também não é nada provável, dada a omissão das chamadas "elites", sempre de rabo entre as pernas, oscilando entre lamber mais um pouco os pés da canalha petista ou apegar-se ao primeiro zesserra que apareça.
Ao estudante que consiga ainda vislumbrar o que é vida intelectual e faça dela o objetivo de sua existência, restam dois caminhos: o exílio, que pode levar ao lugar errado (a miséria brasileira nasce em Paris), e o isolamento, que pode levar os mais fracos a um desespero ainda mais profundo do que aquele em que se encontram.
A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium, aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
Mas o ambiente universitário brasileiro de hoje é tão baixo, tão torpe, que só de a gente apresentar essa lista – o mínimo requerido para uma formação séria de filósofo ou erudito –, o pessoal já arregala os olhos de susto. Na verdade, o estudante brasileiro não lê nada, só resumo e orelha, além de Emir Sader e da dupla Betto & Boff, que não valem o resumo de uma orelha. É tudo farsa, chanchada, pose. Não há quem não saiba disso e não há quem não acabe se acomodando a essa situação como se fosse natural e inevitável. A abjeção intelectual deste país é sem fim.
Não são, como em geral imaginam, vítimas de puras circunstâncias políticas imediatas. Gemem sob uma montanha de fatores adversos à inteligência humana, que foram se acumulando no mundo, e não só no Brasil, ao longo das últimas décadas. Se a primeira metade do século XX trouxe um florescimento intelectual incomum, a segunda foi uma devastação geral como raramente se viu na História. A queda foi tão profunda que já não se pode medi-la. Num panorama inteiramente dominado por charlatães caricatos como Noam Chomsky, Richard Dawkins, Edward Said, Jacques Derrida, Julia Kristeva, a época em que floresceram quase que simultaneamente Edmund Husserl, Karl Jaspers, Louis Lavelle, Alfred North Whitehead, Benedetto Croce, Jan Huizinga,
Arnold Toynbee – e na literatura T. S. Eliot, W. B. Yeats, Ezra Pound, Thomas Mann, Franz Kafka, Jacob Wassermann, Robert Musil, Hermann Broch, Heimito von Doderer – já se tornou invisível, inalcançável à imaginação dos nossos contemporâneos. Toda comparação é entre alguma coisa e alguma outra coisa. Não se pode comparar tudo com nada.
Isso não quer dizer que as fontes do conhecimento tenham secado. Pensadores de grande envergadura – um Eric Voegelin, um Bernard Lonergan, um Xavier Zubiri – sobreviveram à debacle dos anos 60 e continuaram atuantes, o primeiro até 1985, o segundo até 1984, o terceiro até 1983. Mas seus ensinamentos são ainda a posse exclusiva de círculos seletos. Não entram na corrente geral das idéias, nem poderiam entrar sem sujar-se, sem transformar-se em matéria de discussões idiotas como vem acontecendo, graças à ascensão política de alguns de seus discípulos, com o infeliz Leo Strauss.
Pois a desgraça se deu justamente na "corrente geral". O fim da II Guerra Mundial trouxe uma prodigiosa reorganização das bases sociais e econômicas da vida intelectual no mundo. Novas instituições, novas redes de comunicação, novos mecanismos de estocagem e distribuição das informações acadêmicas, novos públicos e, sobretudo, a ampliação inaudita do apoio estatal e privado à cultura e a formação dos grandes organismos internacionais como a ONU e a Unesco. Tudo isso veio junto com o descrédito do marxismo soviético e a profunda mutação interna da militância esquerdista internacional, a essa altura já plenamente imbuída das duas lições aprendidas da Escola de Frankfurt e
de Georg Lukacs (mas também, mais discretamente, de Martin Heidegger):
(1) a luta essencial não era propriamente contra o capitalismo, mas contra "a civilização ocidental";
(2) o agente principal do processo era a classe dos intelectuais.
Nessas condições, o crescimento fabuloso dos meios de atuação veio junto com o esforço multilateral de apropriação desses meios por parte de grupos militantes bem pouco interessados em "compreender o mundo" mas totalmente devotados a "transformá-lo". A redução drástica da atividade intelectual ao ativismo político foi a conseqüência desejada e planejada dessa operação, realizada em escala mundial a partir dos anos 60.
Não que o fenômeno fosse totalmente desconhecido antes disso. Um vasto ensaio geral já vinha sendo realizado nos EUA desde a década de 30 pelo menos, através das grandes fundações "não lucrativas" que descobriram seu poder de orientar e manipular a seu belprazer a atividade intelectual, científica e educacional mediante a simples seleção ideologicamente orientada dos destinatários de suas verbas bilionárias.
Em 1954, uma comissão de investigações do Congresso americano já havia descoberto que fundações como Rockefeller, Carnegie e Ford exerciam controle indevido sobre as universidades, as instituições de pesquisa e a cultura em geral, orientando-as num sentido francamente anti-americano, anticristão e até anticapitalista. (Não me perguntem pela milésima vez com que interesse os grandes capitalistas podem agir contra o capitalismo. A explicação está resumida em http://www.olavodecarvalho.org/semana/040617jt.htm e http://www.olavodecarvalho.org/textos/debate_usp_4.htm.) Inevitavelmente, a influência exercida por essas organizações não consistiu só em introduzir uma determinada cor política na produção cultural, mas em alterá-la e corrompê-la até às raízes, subordinando aos objetivos políticos e publicitários visados todas as exigências de honestidade, veracidade e rigor. Sem essa interferência, fraudes cabeludas como o Relatório Kinsey ou a pseudo-antropologia de Margaret Mead jamais teriam conseguido impor-se ao meio acadêmico e à mídia
cultural como produtos respeitáveis de uma atividade científica normal.
A comissão foi alvo de ataques virulentos de toda a grande mídia, e seu trabalho acabou por ser esquecido, mas ele ainda é uma das melhores fontes de consulta sobre a instrumentalização política da cultura (v. René Wormser, Foundations, Their Power and Influence, New York, Devin-Adair, 1958 – vocês podem comprá-lo pelo site www.bookfinder.com). Na verdade, sem ele não se pode compreender nada do que se passou em seguida, pois o que se passou foi que o experimento tentado em escala americana foi ampliado para o mundo todo: a apropriação dos meios de ação cultural pelas organizações militantes e o sacrifício integral da inteligência humana no altar da "vontade de poder" simplesmente se globalizaram.
Recursos incalculavelmente vastos, que poderiam ter sido utilizados para o progresso do conhecimento e a melhoria da condição de vida da espécie humana foram assim desperdiçados para sustentar a guerra geral da estupidez militante contra a "civilização ocidental" que havia gerado esses mesmos recursos.
Embora esse processo seja de alcance mundial, é claro que o seu peso se fez sentir mais densamente em países novos do Terceiro Mundo, onde as criações das épocas anteriores não tinham sido assimiladas com muita profundidade e as raízes da civilização podiam ser mais facilmente cortadas. No Brasil, da década de 60 em diante, os progressos da barbárie foram talvez mais rápidos do que em qualquer outro lugar, destruindo com espantosa facilidade as sementes de cultura que, embora frágeis, vinham dando alguns frutos promissores. A comparação impossível entre as duas épocas, que mencionei acima, é ainda mais impossível no caso brasileiro. Na década de 50, tínhamos, vivos e atuantes, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Àlvaro Lins, Augusto Meyer, Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira dos Santos, Vicente Ferreira da Silva, Herberto Sales, Cornélio Penna, Gustavo Corção, Nelson Rodrigues, Lúcio Cardoso, Heitor Villa-Lobos, Augusto Frederico Schmidt, a lista não acaba mais. Hoje, quem representa na mídia a imagem da "cultura brasileira"? Paulo Coelho, Luís Fernando Veríssimo, Gilberto Gil, Arnaldo Jabor, Emir Sader, Frei Betto e Leonardo Boff. Perto desses, Chomsky é Aristóteles. É o grau mais alto pelo qual se medem. Chamar isso de crise, ou mesmo de decadência, é de um otimismo delirante. A cultura brasileira tornou-se a caricatura de uma palhaçada. É uma coisa oca, besta, disforme, doente, incalculavemente irrisória.
A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligencia prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia.
Mas não, a inteligência nacional não acabou no dia em que os nossos estudantes tiraram o último lugar numa avaliação entre alunos do curso secundário de 32 países: acabou logo em seguida, quando o ministro da Educação disse que o resultado poderia ter sido pior.
Num sentido mais profundo do que o ministro imaginava, poderia mesmo. Na eleição seguinte, o país colocou na presidência um carreirista enriquecido, de terno Armani e unhas polidas, que, por orgulhar-se de jamais ler livros, foi proclamado um símbolo da autenticidade popular. A imagem era falsa, grotesca e insultuosa, mas ninguém percebeu. Se existe um grau abaixo do grotesco, porém, ele foi atingido logo em seguida, quando o escritor Raymundo Faoro, quanto mais bobo mais celebrado nas esquerdas como inteligência luminosa, sugeriu o nome do então presidenciável para ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Perto disso, tirar o último lugar num teste chegava a ser meritório.
Se o desespero dos estudantes que me escrevem viesse só da situação política, haveria esperança de saná-lo por meio da ação política. Mas a ação política é um subproduto da cultura e, no estado em que as coisas estão, nenhuma ação política inteligente, ao menos em escala federal, é previsível nas próximas duas ou três gerações. Nas próximas eleições, por exemplo, o país terá de optar novamente entre PT e PSDB, isto é, os dois filhotes monstruosos gerados no ventre da USP, a mãe da esterilidade nacional, ou como bem a sintetizou o poeta Bruno Tolentino, a "p... que não pariu". Sim, a política brasileira virou uma imensa assembléia de estudantes da USP, com o Partido Comunista de um lado, a Ação Popular de outro, num torneio de arrogância, presunção, hipocrisia, sadismo mental, mendacidade ilimitada e estupidez sem fim. A USP levou meio século para chegar ao poder, e ainda não parou de gerar pseudo-intelectuais ambiciosos, ávidos de mandar, sedentos de ministérios. Sua obra de destruição está longe de haver-se completado.
Da política nada de bom se pode esperar num prazo humanamente suportável. Uma ação cultural de grande escala – a fundação de uma autêntica instituição de ensino superior, para contrabalançar a desgraça uspiana – também não é nada provável, dada a omissão das chamadas "elites", sempre de rabo entre as pernas, oscilando entre lamber mais um pouco os pés da canalha petista ou apegar-se ao primeiro zesserra que apareça.
Ao estudante que consiga ainda vislumbrar o que é vida intelectual e faça dela o objetivo de sua existência, restam dois caminhos: o exílio, que pode levar ao lugar errado (a miséria brasileira nasce em Paris), e o isolamento, que pode levar os mais fracos a um desespero ainda mais profundo do que aquele em que se encontram.
A única solução viável, que enxergo, é a formação de pequenos grupos solidários, firmemente decididos a obter uma formação intelectual sólida, de início sem nenhum reconhecimento oficial ou acadêmico, mas forçando mais tarde a obtenção desse reconhecimento mediante prova de superioridade acachapante. Já não leciono no Brasil, mas a experiência mostrou que muito aluno meu, com alguns anos de aulas e bastante estudo em casa, já está pronto para dar de dez a zero, não digo em alunos, mas em professores da USP do calibrinho de Demétrio Magnoli e Emir Sader, o que, bem feitas as contas, é até luta desigual, é até covardia.
O processo é trabalhoso, mas simples: cumprir as tarefas tradicionais do estudo acadêmico, dominar o trivium, aprender a escrever lendo e imitando os clássicos de três idiomas pelo menos, estudar muito Aristóteles, muito Platão, muito Tomás de Aquino, muito Leibniz, Schelling e Husserl, absorver o quanto possível o legado da universidade alemã e austríaca da primeira metade do século XX, conhecer muito bem a história comparada de duas ou três civilizações, absorver os clássicos da teologia e da mística de pelo menos três religiões, e então, só então, ler Marx, Nietzsche, Foucault. Se depois desse regime você ainda se impressionar com esses três, é porque é burro mesmo e eu nada posso fazer por você.
Mas o ambiente universitário brasileiro de hoje é tão baixo, tão torpe, que só de a gente apresentar essa lista – o mínimo requerido para uma formação séria de filósofo ou erudito –, o pessoal já arregala os olhos de susto. Na verdade, o estudante brasileiro não lê nada, só resumo e orelha, além de Emir Sader e da dupla Betto & Boff, que não valem o resumo de uma orelha. É tudo farsa, chanchada, pose. Não há quem não saiba disso e não há quem não acabe se acomodando a essa situação como se fosse natural e inevitável. A abjeção intelectual deste país é sem fim.
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Sony Kills off Aibo, Qrio, Qualia
A Sony foi o destaque do dia na Bolsa de Tóquio, com alta de 14,2% (a maior desde outubro de 1990), reflexo do surpreendente salto de 47% no lucro operacional trimestral. Foi um resultado atingido graças ao sucesso do PlayStation, mas principalmente a árduas penas da política do norte-americano Howard Stringer, o primeiro presidente não-japonês da corporação.

Ironicamente, na última quinta-feira, antevéspera do Ano Chinês do Cachorro, a japonesa Sony anunciou a morte do Aibo, o cãozinho-robô lançado em 1999 e que já vendeu mais de 150 mil unidades, e do humanóide Qrio, o último lançado no ano passado. O motivo alegado foi a necessidade de reestruturar as finanças da empresa, cortando operações não lucrativas.
É uma pena :'-(
Assinar:
Postagens (Atom)









