Mostrando postagens com marcador software. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador software. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, junho 06, 2007

Cinco razões para NÃO usar Linux

Em um artigo bem engraçado, Steven da Linux Watch nos diverte com o seu humor refinado. O texto foi contextualizado para o Brasil...Leia o artigo do diretor da Flux Softwares, Ulisses Leitão, sobre o assunto:


Eu adoro Linux! Eu o utilizo em meus servidores, em meus desktops e estações de trabalho. Utilizo Linux nas minhas estações de Jogos e de Multimídia, onde ele opera o meu sistema de gravação de vídeos HDTV TiVo, juntamente com meu Home Theater com suporte Wireless pelo D-Link DSM-320, o que transforma a minha rede doméstica em uma pequena biblioteca de Vídeo de Terabytes de capacidade! É verdade, eu rodo ainda Linux embarcado em meu Acess Point LinkSys WRT54G, onde toda a tralha se conecta à internet com segurança.

Mas, Linux realmente não é para qualquer um. Sério! Deixe-me apresentar as minhas cinco principais razões para lhe convencer a NUNCA cair na besteira de pensar em migrar para Linux.

Razão número um: Linux é muito complicado

Mesmo com estas interfaces gráficas modernas, tipo KDE, Gnome e XFCE, embora em 99,9% do tempo você tenha apenas que usar o mouse, pode ser que em algum momento – apenas possível, nem mesmo provável – você seja obrigado a usar uma horrível linha de comando e escrever comandos complicadíssimos como ls para listar arquivos de um diretório ou cd para mudar de diretório, ou editar um mísero arquivo de configuração!

Veja, se você compara isto com o Windows, onde você em algum momento precisará de utilizar uma linha de comando DOS – apenas possível, nem mesmo provável – tendo que digitar dir para listar arquivos de um diretório e cd para mudar de diretório, ou que você tenha que editar um arquivo Windows Registry onde, os técnicos lhe dirão, apenas uma linha poderá comprometer o seu sistema de tal forma que você terá de reinstalá-lo do zero. Quanta diferença!

Razão número dois: Linux é muito difícil de instalar

E é verdade! Pois, no fim das contas, com estes sistemas modernos de instalação do Linux, como no Flux Linux (merchandising!), Ubuntu, Mandriva, Suse, Red Hat e Debian, você ainda é obrigado a colocar o CD ou DVD no driver, apertar um botão infame, escolher um nome para o seu computador e fornecer uma senha para o usuário do sistema. Meu Deus, quanta complicação!
Agora veja, com o Windows é tudo diferente. Você tem colocar o CD ou DVD no driver, fazer exatamente as mesmas coisas anteriores e então iniciar o processo de atualização on line do sistema, que pode durar de duas a três horas! Mas no final, vale a pena, pois estudos da Symantec comprovam que sistemas Windows desatualizados podem ser criticamente infectados em questão de horas. Veja, no Linux tudo é horrivelmente aborrecido: O sistema, sem nenhuma atualização de segurança, deverá estar seguro e atual por período superior a seis meses! Que graça tem isto?! Cadê a emoção?!

Razão número três: Linux não possui aplicações suficientes

É bem verdade que atualmente a grande maioria das distribuições Linux já vêm com diversos Navegadores de Internet dos mais seguros, como o Firefox ou com recursos desconhecidos no mundo Windows, como a tradução simultânea de página disponível no Konqueror. Claro que todas já vêm com clientes de email como o Kmail ou Evolution; com clientes de Mensageiros Instantâneos para MSN, como o Kopete ou o Gaim; com aplicativos VoIP, como Ekiga e Skype; vêm com editores de Imagem, Som, Vídeo e editores de páginas para internet, como os aplicativos Gimp, Audacity, LiVES e NVU. Seguramente você terá aplicativos multimídia para ouvir CD, em formato WAV, MP3 e OGG, assistir DVD, VCD, MPEG4, etc... Além disto, você terá opções: Xine, Kaffeine, Mplayer, VLC Player, etc. Na verdade, a maioria das distribuições Linux já possuem toda a suíte de escritório instalada e gratuita. Você poderá editar textos, planilhas e apresentações de graça com o Open Office e seus derivados! E mais, é certo que você poderá ler e escrever nos formatos de arquivos do Office do Windows: .doc, .xls e .ppt sem mistérios! Há ainda os aplicativos profissionais de banco de dados, de servidor web, de acesso remoto seguro com criptografia forte, de interação com rede Windows, etc... etc e etc...

Mas, para falar a verdade, Windows também tem o Internet Explorer e o Outlook Express, o navegador de internet e o cliente de e-mails mais utilizados por aí. Se bem que ambos tenham alguns problemas de segurança... É claro que o Windows também tem um cliente MSN (afinal, é MS...), embora, também aqui os problemas de segurança não sejam poucos...
E óbvio, o Windows também vem com o Microsoft Office, o qual... – Oh! É verdade, havia me esquecido, terei de comprá-lo a parte por um custo parecido com aquele do meu Computador. Vixe! Mas, existem opções: Lotus 1-2-3... Hummm, será realmente uma opção?! O que falar do finado Wordperfect?! Talvez hoje a melhor solução para o ambiente Windows seja mesmo instalar um Open Office para Windows, aquele mesmo que você pode utilizar de graça também no Linux, com as mesmas funcionalidades!
Bom, para resumir: Qual era mesmo aquele aplicativo que não TINHA no Linux? Não estou me lembrando...

Razão número quatro: Linux não é seguro

Bem se a Microsoft diz isto, é porque deve ser verdade... ou não! O que devo pensar? Esta empresa é realmente especialista em IN-segurança, pois não passa um dia sem que tenhamos notícia de mais uma falha crítica de segurança no Windows. A quem você deve dar crédito: à Microsoft ou a sua própria experiência?!

Razão número cinco: Linux é muito caro

Você está querendo dizer que a Microsoft é uma mentirosa? Veja bem, estas empresas Linux horrorosas, como a Flux Softwares (merchan again...), Red Hat, SuSE lhe cobram até mesmo uma taxa para você ter o suporte ao Linux. De toda forma, em geral, você poderá baixar os Softwares de graça pela internet, plenamente funcionais e sem restrições de desempenho.
Mas veja, você compra o seu computador e o Windows já vem instalado, certo? De graça, certo? Hummm, de graça?! Bom, se o seu computador tem o selinho da Microsoft o preço estará embutido e será três vezes mais caro, por dez vezes menos software do que o que vem em qualquer distribuição Linux. Mas talvez o mais certo é que ele não possua o selinho, seja um legítimo pirateado, com ou sem o seu conhecimento!
Mas, de toda forma, ele já vem com tudo. Completinho, completinho! A menos que você queira editar um texto e fazer uma planilha. Neste caso pague mais R$ 1.400,00 pelo MS Office. Ou que você queira se dar ao luxo de uma proteção contra Vírus, mais R$ 120,00 pelo Norton, ou contra aqueles terríveis Spywares que querem levar a senha de sua conta bancária, mais R$ 70,00 pelo McAFee. Se quiser um Firewall de brinde, para evitar invasões ao seu computador doméstico ou àquele da contabilidade de sua empresa, mais R$ 90,00 pelo Zone Alarm Pro. Mas senão, o seu sistema é seguro mesmo... não precisa de nada disto. Existe sempre a alternativa de reinstalar tudo, perdendo, é claro, todos os seus arquivos... É tudo apenas terrorismo!

Pensando em tudo isto, eu lhe pergunto que razões haveria para você usar Linux? Bobagem!!!

fonte: http://www.noticiaslinux.com.br/nl1181006531.html

Ulisses Leitão
* Diretor da Flux Softwares, coordenador do projeto Flux Linux para desktop e servidores. Pesquisador e professor com doutorado na Alemanha, está engajado na adoção de Software Livre no setor público e empresarial, desde 1998. / ulisses@fluxsoftwares.com

Livre tradução e adaptação do artigo “Five reasons NOT to use Linux”, de Steven J. Vaughan-Nichols, no Linux Watch:

http://www.linux-watch.com/news/NS8124627492.html

por: Raquel Borsari, contato at fluxsoftwares.com

quinta-feira, maio 03, 2007

Key DVD DRM

09-f9-11-02-9d-74-e3-5b-d8-41-56-c5-63-56-88-c0

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O que é o Software Livre?

Nós mantemos esta definição do Software Livre para mostrar claramente o que deve ser verdadeiro à respeito de um dado programa de software para que ele seja considerado software livre.

"Software Livre" é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis".

"Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro tipos de liberdade, para os usuários do software:

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0)
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2).
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Um programa é software livre se os usuários tem todas essas liberdades. Portanto, você deve ser livre para redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para fazer essas coisas significa (entre outras coisas) que você não tem que pedir ou pagar pela permissão.

Você deve também ter a liberdade de fazer modifcações e usá-las privativamente no seu trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas existem. Se você publicar as modificações, você não deve ser obrigado a avisar a ninguém em particular, ou de nenhum modo em especial.

A liberdade de utilizar um programa significa a liberdade para qualquer tipo de pessoa física ou jurídica utilizar o software em qualquer tipo de sistema computacional, para qualquer tipo de trabalho ou atividade, sem que seja necessário comunicar ao desenvolvedor ou a qualquer outra entidade em especial.

A liberdade de redistribuir cópias deve incluir formas binárias ou executáveis do programa, assim como o código-fonte, tanto para as versões originais quanto para as modificadas. Está ok se não for possível produzir uma forma binária ou executável (pois algumas linguagens de programação não suportam este recurso), mas deve ser concedida a liberdade de redistribuir essas formas caso seja desenvolvido um meio de cria-las.

De modo que a liberdade de fazer modificações, e de publicar versões aperfeiçoadas, tenha algum significado, deve-se ter acesso ao código-fonte do programa. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software livre.

Para que essas liberdades sejam reais, elas tem que ser irrevogáveis desde que você não faça nada errado; caso o desenvolvedor do software tenha o poder de revogar a licença, mesmo que você não tenha dado motivo, o software não é livre.

Entretanto, certos tipos de regras sobre a maneira de distribuir software livre são aceitáveis, quando elas não entram em conflito com as liberdades principais. Por exemplo, copyleft (apresentado de forma bem simples) é a regra de que, quando redistribuindo um programa, você não pode adicionar restrições para negar para outras pessoas as liberdades principais. Esta regra não entra em conflito com as liberdades; na verdade, ela as protege.

Portanto, você pode ter pago para receber cópias do software GNU, ou você pode ter obtido cópias sem nenhum custo. Mas independente de como você obteve a sua cópia, você sempre tem a liberdade de copiar e modificar o software, ou mesmo de vender cópias.

"Software Livre" Não significa "não-comercial". Um programa livre deve estar disponível para uso comercial, desenvolvimento comercial, e distribuição comercial. O desenvolvimento comercial de software livre não é incomum; tais softwares livres comerciais são muito importantes.

Regras sobre como empacotar uma versão modificada são aceitáveis, se elas não acabam bloqueando a sua liberdade de liberar versões modificadas. Regras como "se você tornou o programa disponível deste modo, você também tem que torná-lo disponível deste outro modo" também podem ser aceitas, da mesma forma. (Note que tal regra ainda deixa para você a escolha de tornar o programa disponível ou não.) Também é aceitável uma licença que exija que, caso você tenha distribuído uma versão modificada e um desenvolvedor anterior peça por uma cópia dele, você deva enviar uma.

No projeto GNU, nós usamos "copyleft" para proteger estas liberdades legalmente para todos. Mas também existe software livre que não é copyleft. Nós acreditamos que hajam razões importantes pelas quais é melhor usar o copyleft, mas se o seu programa é free-software mas não é copyleft, nós ainda podemos utilizá-lo.

Veja Categorias de Software Livre (18k characters) para uma descrição de como "software livre", "software copyleft" e outras categoria se relacionam umas com as outras.

Às vezes regras de controle de exportação e sansões de comércio podem limitar a sua liberdade de distribuir cópias de programas internacionalmente. Desenvolvedores de software não tem o poder para eliminar ou sobrepor estas restrições, mas o que eles podem e devem fazer é se recusar a impô-las como condições para o uso dos seus programas. Deste modo, as restrições não afetam as atividades e as pessoas fora da jurisdição destes governos.

Quando falando sobre o software livre, é melhor evitar o uso de termos como "dado" ou "de graça", porque estes termos implicam que a questão é de preço, não de liberdade. Alguns temos comuns como "pirataria" englobam opiniões que nós esperamos você não irá endossar. Veja frases e palavras confusas que é melhor evitar para uma discussão desses termos. Nós também temos uma lista de traduções do termo "software livre" para várias línguas.

Finalmente, note que critérios como os estabelecidos nesta definição do software livre requerem cuidadosa deliberação quanto à sua interpretação. Para decidir se uma licença se qualifica como de software livre, nós a julgamos baseados nestes critérios para determinar se ela se segue o nosso espírito assim como as palavras exatas. Se uma licença inclui restrições impensadas, nós a rejeitamos, mesmo que nós não tenhamos antecipado a questão nestes critérios. Às vezes um requerimento de alguma licença levanta uma questão que requer excessiva deliberação, incluindo discussões com advogados, antes que nós possamos decidir se o requerimento é aceitável. Quando nós chegamos a uma conclusão sobre uma nova questão, nós frequentemente atualizamos estes critérios para tornar mais fácil determinar porque certas licenças se qualificam ou não.

Se você está interessado em saber se uma licença em especial se qualifica como uma licença de software livre, veja a nossa lista de licenças. Se a licença com a qual você está preocupado não está listada, você pode nos questionar enviando e-mail para .


Mais textos para ler

Outro grupo iniciou o uso do termo software aberto para significar algo próximo (mas não idêntico) a "software livre". Nós preferimos o termo "software livre" porque, uma vez que você tenha aprendido que ele se refere à liberdade e não ao preço, você se preocupará com a questão da liberdade.


Por favor envie dúvidas ou questões sobre FSF e/ou GNU para gnu@gnu.org. Há também outros meios de contactar a FSF.

Por favor envie comentários sobre essas páginas para webmasters@www.gnu.org, envie outras questões para gnu@gnu.org.

Copyright (C) 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Free Software Foundation, Inc., 51 Franklin St, Fifth Floor, Boston, MA 02110, USA

A cópia fiel e a distribuição deste artigo completo é permitida em qualquer meio, desde que esta nota seja preservada.


segunda-feira, dezembro 05, 2005

Você pode confiar em seu computador?

por Richard Stallman

A quem o seu computador deve obedecer? A maioria das pessoas pensa que seus computadores devem obedecer-lhes, e não a outras pessoas. Com um plano chamado "computação confiável (trusted computing)", grandes empresas de media (incluindo as empresas de cinema e gravadoras), associadas a empresas de computação, tais como Microsoft e Intel, estão planejando fazer o seu computador obedecer a elas e não a você. (A versão da Microsoft para este esquema chama-se "Palladium".). Programas proprietários já fizeram a inclusão de características maliciosas antes, mas este plano irá torná-las universais.

Software proprietário significa, fundamentalmente, que você não controla o que ele faz; você não pode estudar o código fonte ou alterá-lo. Não é surpreendente que homens de negócios astuciosos descubram maneiras de usar este controle para colocá-lo em uma situação desvantajosa. A Microsoft fez isto diversas vezes: uma versão do Windows foi projetada para relatar para a Microsoft todo o software existente em seu disco rígido; uma atualização recente de "segurança" no Windows Media Player exigia que os usuários concordassem com novas restrições. Mas a Microsoft não está sozinha: o software KaZaa de compartilhamento de música foi projetado de modo a que os parceiros comerciais da empresa possam alugar o uso de seu computador para seus clientes. Estas características maliciosas são frequentemente secretas, mas uma vez que você as conheça é difícil removê-las, pois você não possui o código fonte.

No passado, estes eram incidentes isolados. "Computação Confiável" irá torná-los amplamente disseminados. "Computação traiçoeira (Treacherous computing)" é um nome mais apropriado, porque o plano é feito de forma a garantir que o seu computador irá desobedecê-lo sistematicamente. De fato, foi projetado de modo a impedir o seu computador de funcionar como um computador de uso geral. Cada operação irá requerar permissão explícita.

A idéia técnica subjacente à computação traiçoeira é que o computador incluirá um dispositivo de criptografia e assinatura digital, e as chaves são mantidas em segredo. Programas proprietários irão usar este dispositivo para controlar quais outros programas você pode rodar, quais documentos ou dados você pode acessar, e para quais programas você pode passá-los. Estes programas irão baixar continuamente da internet novas regras de autorização, e impor estas regras automaticamente a você. Se você não permitir que seu computador obtenha estas novas regras periodicamente a partir da Internet, alguns recursos irão automaticamente deixar de funcionar.

É claro, Hollywood e as gravadores planejam usar a computação traiçoeira para "DRM" (Digital Restrictions Management), de forma a garantir que videos e música possam ser vistos ou ouvidos apenas em um computador especificado. O compartilhamento se tornará inteiramente impossível, ao menos usando os arquivos autorizados que você pegará destas empresas. Você, o público, deverá ter tanto a liberdade e a habilidade para compartilhar estas coisas. (Eu espero que alguém descubra uma maneira de produzir versões não criptografadas e de publicá-las compartilhá-las, de modo a fazer com que o DRM não seja inteiramente bem sucedido, mas isto não é desculpa para o sistema.)

Tornar o compartilhamento impossível já é ruim, mas pode ficar pior. Existem planos de usar os mesmos recursos para email e documentos -- resultando em email que desaparece em duas semanas, ou em documentos que podem ser lidos apenas nos computadores de uma determinada empresa.

Imagine se você recebe um email de seu chefe lhe instruindo a fazer algo que você considera arriscado; um mês depois, quando tudo dá errado, você não poderá usar o email para mostrar que a decisão não foi sua. "Obter tudo por escrito" não te protege quando a ordem é escrita em tinta invisível.

Imagina que você receba um email declarando uma política que é ilegal ou moralmente ultrajante, como por exemplo instruções para destruir os documentos de auditoria de sua empresa, ou permitir que uma ameaça perigosa ao seu país prossiga normalmente. Hoje você pode enviar uma mensagem para um repórter e expor a atividade. Com a computação traiçoeira, op repórter não poderá ler o documento; seu computador irá se recusar a obedecê-la. A computação traiçoeira irá se tornar um paraíso para a corrupção.

Processadores de texto como o Microsoft Word poderiam usar a computação traiçoeira ao salvar seus documentos, de forma a garantir que processadores de texto da concorrência não possam lê-los. Hoje nós temos que descobrir os segredos do formato Word através de experimentos laboriosos de modo a habilitar os processadores de texto livres a interpretá-los. Se o Word criptografa documentos usando a computação traiçoeira ao salvá-los, a comunidade de software livre não terá nenhuma chance de desenvolver software para lê-los -- e mesmo que pudéssemos, tais programas serão até mesmo proibidos pelo Digital Millenium Copyright Act.

Programas que usam computação traiçoeira irão continuamente baixar novas regras de autorização através da Internet e imporão estas novas regras automaticamente ao seu trabalho. Se a Microsoft, ou o governo americano, não gostarem do que você disse em um documento que escreveu, eles poderão publicar novas instruções orientando todos os computadores a proibirem que qualquer pessoa leia o documento. Cada computador iria obedecer ao baixar as novas instruções. Os seus escritos seriam sujeitos ao estilo de remoção retroativa ao estilo do livro 1984. Até mesmo você poderá ser impedido de ler seu próprio trabalho.

Você pode pensar que pode descobrir as coisas desagradáveis que a computação confiável faz, estudar o quanto doloroso ela é, e decidir se as aceita. Seria imediatista e estúpido aceitar, mas o ponto é que o acordo que vocÊ está aceitando não irá parar por ai. Uma vez que você venha a depender de determinado programa, você está fistado e eles sabem disto; então eles podem mudar as regras. Algumas aplicações irão baixar atualizações automaticamente que irão fazer algo diferente -- e eles não lhe darão o direito de escolha quanto a atualizar ou não.

Hoje você pode evitar estas restrições impostas pelo software proprietário decidindo não usá-los. Se você usa GNU/Linux ou outro sistema operacional livre, e se você evita instalar programas proprietários, então você é quem decide o que o seu computador faz. Se um programa livre tem uma característica maliciosa, outros desenvolvedores na comunidade irão removê-la, e você pode usar a versão corrigida. Você pode também rodar aplicativos e ferramentas livres em sistemas não livres; isto não é exatamente uma opção de liberdade completa, mas muitos usuários procedem desta maneira.

A computação traiçoeira coloca a existência de sistemas e aplicações livres em risco, porque você pode não ser capaz de rodá-los de forma alguma. Algumas versões da computação traiçoeira irão exigir que o sistema operacional seja especificamente autorizado por determinada empresa. Sistemas operacionais livres poderão não ser instalados. Algumas versões da computação traiçoeira irão exigir que cada programa seja especificamente autorizados pelo desenvolvedor do sistema operacional. Você não poderá executar aplicações livres em tais sistemas. Se você descobrir como fazer isto, e contar para alguém, isto poderá ser um crime.

Já existem propostas para leis americanas exigindo que todos os computadores suportem a computação traiçoeira, e para proibir que computadores antigos se conectem à Internet. A CBDTPA (nós a chamamos de Ato Consuma Mas Não Tente Programar -- "Consume But Don't Try Programming Act" -- é uma delas. Mas mesmo que eles não o forcem legalmente a usar a computação traiçoeira, a pressão para aceitá-la pode ser enorme. Hoje as pessoas frequentemente usam o formato Word para comuniucação, embora isto cause diversos tipos de problemas (veja "We can put an End to Word Attachments" (http://www.gnu.org/philosophy/no-word-attachments.html)). Se apenas uma máquina com computação traiçoeira pode ler os documentos mais recentes do Word, muitas pessoas irão mudar para ela, se eles encaram a situação apenas em termos de ação indiidual (é pegar ou largar). Para opor-se à computação traiçoeira, nós precisamos nos unir e confrontar a situação como uma escolha coletiva.

Para saber mais sobre a computação traiçoeira, veja <http://www.cl.cam.ac.uk/users/rja14/tcpa-faq.html>.

Bloquear a computação traiçoeira irá exigir que grandes números de cidadãos se organizem. Nós precisamos de sua ajuda! A Electronic Frontier Foundation (http://www.eff.org/) e Public Knowledge (http://www.publicknowledge.org/) estão fazendo campanhas contra a computação traiçoeira, da mesma forma que o projeto chamado Digital Speech Project (http://www.digitalspeech.org/) patrocinado pela FSF. Por favor, visite estes websites para se cadastrar para apoiar estes trabalhos.

Você pode também ajudar escrevendo para o escritório de relações públicas da Intel, IBM, HP/Compaq, ou para qualquer empresa da qual você tenha comprado um computador, explicando que você não quer ser pressionado a comprar sistemas de computação "confiável" e não quer que eles se envolvam em sua produção. Isto pode fazer com que o poder do consumidor prevaleça. Se você fizer isto por conta própria, por favor, envie cópias de sua correspondência para as organizações acima.


Postscripts

1. O projeto GNU distribui o software GNU Privacy Guard, que é um programa que implementa criptografia de chaves públicas e assinaturas digitais, que você pode usar para enviar email seguro e privado. Ele é útil para explorar a forma como o GPG difere da computação traiçoeira, e ver o que torna uma útil e a outra tão perigosa.

Quando alguém usa o GPG para lhe enviar um documento criptografado, e você usa o GPG para decodificá-lo, o resultado é um documento não criptografado que você pode ler, encaminhar para outros, copiar e mesmo recriptografá-lo para enviá-lo seguramente a alguém. Uma aplicação de computação traiçoeira iria deixá-lo ler as palavras na tela, mas não lhe autorizaria a produzir um documento não criptografado que você possa usar de outras formas. GPG, um software livre, torna as características de segurança disponíveis aos usuários; eles as usam. A computação traiçoeira é projetada para impor restriçoes aos usuários; ela os usa.

2. A Microsoft apresanta o Palladium como uma medida de segurança, e afirma que ele irá nos proteger contra os vírus, mas esta afirmativa é falsa. Em uma apresentação do departamento de pesquisa da Microsoft em outubro de 2002, afirmou-se que uma das especificações do Palladium é que os sistemas operacionais e aplicações existentes poderão ser executadasss; consequentemente os vírus continuarão a ser capazes de fazer tudo que fazem hoje.

Quando a Microsoft fala de "segurança" em conexão com o Palladium, eles não querem dizer o que nós normalmente dizemos ao empregar tal palavra: proteger nossas máquinas de coisas que não queremos. Eles querem dizer proteger as cópias de dados em sua máquina de acesso por você de uma forma que os outros não desejam. Um slide na apresentação listava diversos tipos de segredos que o Palladium poderia ser usado para manter, inclusive "segredos de terceiros" e "segredos de usuários" -- mas a frase "segredos de usuários" estava entre aspas, reconhecendo tal fato como algo um tanto absurdo dentro do contexto do palladium.

A apresentação fez uso frequente de temos que nós frequentemente associamos com o contexto de segurança, tais como "ataque", "código malicioso", "enganar (spoof)", bem como "confiável". Nenhuma delas significa o que normalmente se entende. "Ataque" não quer dizer que alguém queira lhe prejudicar, significa tentar copiar música. "Código malicioso" significa código instalado por vocÊ para fazer algo que outras pessoas não querem que seu computador faça. "Enganar" não quer dizer que alguém esteja lhe enganando, significa que você está enganando o palladium. E assim por diante.

3. Um pronunciamento prévio dos desenvolvedores do palladium afirmava que a premissa básica que quem quer que seja que desenvolvesse ou coletasse informação deveria ter um controle total sobre a forma como esta informação seja usada. Isto representaria uma virada revolucionária nas idéias de ética do passado e do sistema legal, e criaria um sistema de controle como nunca se viu. Os problemas específicos destes sistemas não são um acidente; eles resultam de seu objetivo básico. É um objetivo que devemos rejeitar.

-------------------------------------------------------------------------------------------------
Este ensaio foi publicado no livro Free Software, Free Society: The Selected Essays of Richard M. Stallman (http://www.gnu.org/doc/book13.html).

Outros textos para ler (http://www.gnu.org/philosophy/philosophy.html)
-------------------------------------------------------------------------------------------------

Retorna à Página inicial do GNU (http://www.gnu.org/home.pt.html).

Perguntas e dúvidas sobre a FSF e o projeto GNU gnu@gnu.org (mailto:gnu@gnu.org). Há também outras formas de contatar a FSF.

Comentários sobre estas páginas: webmasters@www.gnu.org (mailto:webmasters@www.gnu.org), outras perguntas para: gnu@gnu.org (mailto:gnu@gnu.org).

Copyright 1996 Richard Stallman

A Cópia exata e distribuição desse artigo inteiro é permitida em qualquer meio, desde que esta nota seja preservada.

sábado, dezembro 03, 2005

O que é o Software Livre?

Por Richard Stallman

Nós mantemos esta definição do Software Livre para mostrar claramente o que deve ser verdadeiro à respeito de um dado programa de software para que ele seja considerado software livre.

"Software Livre" é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis".

"Software livre" se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro tipos de liberdade, para os usuários do software:

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0)

  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seupróximo (liberdade no. 2).

  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Um programa é software livre se os usuários tem todas essas liberdades. Portanto, você deve ser livre para redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um em qualquer lugar (http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt.html#exportcontrol). Ser livre para fazer essas coisas significa (entre outras coisas) que você não tem que pedir ou pagar pela permissão.

Você deve também ter a liberdade de fazer modifcações e usá-las privativamente no seu trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas existem. Se você publicar as modificações, você não deve ser obrigado a avisar a ninguém em particular, ou de nenhum modo em especial.

A liberdade de utilizar um programa significa a liberdade para qualquer tipo de pessoa física ou jurídica utilizar o software em qualquer tipo de sistema computacional, para qualquer tipo de trabalho ou atividade, sem que seja necessário comunicar ao desenvolvedor ou a qualquer outra entidade em especial.

A liberdade de redistribuir cópias deve incluir formas binárias ou executáveis do programa, assim como o código-fonte, tanto para as versões originais quanto para as modificadas. Está ok se não for possível produzir uma forma binária ou executável (pois algumas linguagens de programação não suportam este recurso), mas deve ser concedida a liberdade de redistribuir essas formas caso seja desenvolvido um meio de cria-las.

De modo que a liberdade de fazer modificações, e de publicar versões aperfeiçoadas, tenha algum significado, deve-se ter acesso ao código-fonte do programa. Portanto, acesso ao código-fonte é uma condição necessária ao software livre.

Para que essas liberdades sejam reais, elas tem que ser irrevogáveis desde que você não faça nada errado; caso o desenvolvedor do software tenha o poder de revogar a licença, mesmo que você não tenha dado motivo, o software não é livre.

Entretanto, certos tipos de regras sobre a maneira de distribuir software livre são aceitáveis, quando elas não entram em conflito com as liberdades principais. Por exemplo, copyleft (apresentado de forma bem simples) é a regra de que, quando redistribuindo um programa, você não pode adicionar restrições para negar para outras pessoas as liberdades principais. Esta regra não entra em conflito com as liberdades; na verdade, ela as protege.

Portanto, você pode ter pago para receber cópias do software GNU, ou você pode ter obtido cópias sem nenhum custo. Mas independente de como você obteve a sua cópia, você sempre tem a liberdade de copiar e modificar o software, ou mesmo de vender cópias (http://www.gnu.org/philosophy/selling.html).

"Software Livre" Não significa "não-comercial". Um programa livre deve estar disponível para uso comercial, desenvolvimento comercial, e distribuição comercial. O desenvolvimento comercial de software livre não é incomum; tais softwares livres comerciais são muito importantes.

Regras sobre como empacotar uma versão modificada são aceitáveis, se elas não acabam bloqueando a sua liberdade de liberar versões modificadas. Regras como "se você tornou o programa disponível deste modo, você também tem que torná-lo disponível deste outro modo" também podem ser aceitas, da mesma forma. (Note que tal regra ainda deixa para você a escolha de tornar o programa disponível ou não.) Também é aceitável uma licença que exija que, caso você tenha distribuído uma versão modificada e um desenvolvedor anterior peça por uma cópia dele, você deva enviar uma.

No projeto GNU, nós usamos "copyleft" (http://www.gnu.org/copyleft/copyleft.pt.html) para proteger estas liberdades legalmente para todos. Mas também existe software livre que não é copyleft (http://www.gnu.org/philosophy/categories.html#Non-CopyleftedFreeSoftware). Nós acreditamos que hajam razões importantes pelas quais é melhor usar o copyleft, mas se o seu programa é free-software mas não é copyleft, nós ainda podemos utilizá-lo.

Veja Categorias de Software Livre (18k characters) (http://www.gnu.org/philosophy/categories.html) para uma descrição de como "software livre", "software copyleft" e outras categoria se relacionam umas com as outras.

Às vezes regras de controle de exportação e sansões de comércio podem limitar a sua liberdade de distribuir cópias de programas internacionalmente. Desenvolvedores de software não tem o poder para eliminar ou sobrepor estas restrições, mas o que eles podem e devem fazer é se recusar a impô-las como condições para o uso dos seus programas. Deste modo, as restrições não afetam as atividades e as pessoas fora da jurisdição destes governos.

Quando falando sobre o software livre, é melhor evitar o uso de termos como "dado" ou "de graça", porque estes termos implicam que a questão é de preço, não de liberdade. Alguns temos comuns como "pirataria" englobam opiniões que nós esperamos você não irá endossar. Veja [frases e palavras confusas que é melhor evitar http://www.gnu.org/philosophy/words-to-avoid.pt.html] para uma discussão desses termos. Nós também temos uma [lista de traduções do termo "software livre" (http://www.gnu.org/philosophy/fs-translations.html) para várias línguas.

Finalmente, note que critérios como os estabelecidos nesta definição do software livre requerem cuidadosa deliberação quanto à sua interpretação. Para decidir se uma licença se qualifica como de software livre, nós a julgamos baseados nestes critérios para determinar se ela se segue o nosso espírito assim como as palavras exatas. Se uma licença inclui restrições impensadas, nós a rejeitamos, mesmo que nós não tenhamos antecipado a questão nestes critérios. Às vezes um requerimento de alguma licença levanta uma questão que requer excessiva deliberação, incluindo discussões com advogados, antes que nós possamos decidir se o requerimento é aceitável. Quando nós chegamos a uma conclusão sobre uma nova questão, nós frequentemente atualizamos estes critérios para tornar mais fácil determinar porque certas licenças se qualificam ou não.

Se você está interessado em saber se uma licença em especial se qualifica como uma licença de software livre, veja a nossa lista de licenças (http://www.gnu.org/licenses/license-list.html). Se a licença com a qual você está preocupado não está listada, você pode nos questionar enviando e-mail para <>. Mais textos para ler

Outro grupo iniciou o uso do termo software aberto (http://www.gnu.org/philosophy/free-software-for-freedom.html) para significar algo próximo (mas não idêntico) a "software livre". Nós preferimos o termo "software livre" porque, uma vez que você tenha aprendido que ele se refere à liberdade e não ao preço, você se preocupará com a questão da liberdade.


Copyright (C) 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Free Software Foundation, Inc.,
51 Franklin St, Fifth Floor, Boston, MA 02110, USA

A cópia fiel e a distribuição deste artigo completo é permitida em qualquer
meio, desde que esta nota seja preservada.

Combatendo Patentes de Sofware - Uma a uma e Todas Juntas

Por Richard Stallman

Patentes de sofware são equivalentes a minas terrestres num projeto de software: cada decisão sobre o visual carrega o risco de pisar numa patente, que pode destruir o seu projeto.

Desenvolver um programa grande e complexo significa combinar várias idéias, quase sempre centenas ou milhares delas. Num país que permite patentes de software, as chances são de que alguma fração substancial das idéias no seu programa já vão estar patenteadas por várias companhias. Talvez centenas de patentes vão cobrir partes do seu programa. Um estudo feito em 2004 encontrou quase 300 patentes americanas que cobriam várias partes de um único prorgama importante. É tão trabalhoso realizar tal estudo que apenas um foi feito até agora.

Em termos práticos, se você é um desenvolvedor de software, você vai normalmente ser ameaçado por uma patente algumas vezes. Quando isso acontece, você pode sair ileso se você encontrar chão legal para derrubar a patente. Você pode tentá-lo; se você tiver sucesso, isso vai significar uma mina a menos no campo minado. Se essa patente for particularmente ameaçadora para o público, a Fundação pelas Patentes Públicas (pubpat.org) (http://www.pubpat.org/) pode se interessar pelo caso; essa é a sua especialidade. Se você pedir ajuda para a comunidade usuária de computadores para procurar por uma publicação prévia da mesma idéia, para utilizar como prova para derrubar a patente, nós todos deveriamos responder com qualquer informação útil que nós podemos ter.

No entanto, combater patentes uma por uma nunca vai eliminar o perigo das patentes de software, da mesmo forma que esmagar mosquitos nunca vai eliminar a malária. Você não pode esperar que pode derrotar todas as patentes que ameaçam você, mais do que você pode esperar matar cada monstro em um jogo de video game: mais cedo ou mais tarde, alguma vai derrotar você e danificar o seu programa. O escritório de patentes dos Estados Unidos emide cerca de cem mil patentes de software por ano; nossos melhores esforços nun conseguiram eliminar essas minas tão rápido quanto eles instalam mais.

Algumas destas minas são impossíveis de se eliminar. Cada patente de software é danosa, e cada patente de software restringe você injustamente de como usar o seu computador, mas nem toda aptente de software é legalmente inválida de acordo com os critérios do sistema de patentes. As patentes de software que nós podemos derrubar são aquelas que resultam de "erros", onde as regras do sistema de patentes não foram apropriadamente obedecidas. Não há nada que nós possamos fazer quando o único erro relevante foi a política de permitir patentes de software.

Para tornar parte do castelo segura, você deve fazer mais do que matar os monstros a medida que eles vão aparecendo--você deve eliminar o gerador que os produz. Derrubar patentes existentes uma por uma não vai tornar a programação segura. Para fazê-lo, nós devemos modificar o sistema de patentes de maneira que as patentes não possam mais ameaçar desenvolvedores de software e usuários.

Não existe conflito entre essas duas campanhas: nós podemos trabalhar na saída a curto prazo e no reparo a longo prazo de uma vez só. Se nós tomarmos cuidado, nós nós podemos fazer com que os nossos esformços para derrubar patentes de software individuais realizar uma dupla tarefa, construindo suporte para os esforços para corrigir o problema inteiro. O ponto crucial é não igualar patentes de software "más" com patentes de software erradas ou inválidas. Cada vez que nós invalidamos uma patente de software, cada vez que nós falamos dos nosso planos de tentar, nós devemos dizer em termos não incertos, "Uma patente de software a menos, uma ameaça a menos para os programadores: o alvo é zero."

A batalha contra patentes de software na União Européia está chegando a um estágio crucial. O Parlamento Europeu votou há um ano atrás para rejeitar patentes de software de forma conclusiva. Em maio, o Conselho de Ministros votou para desfazer as modificações do Parlamento e tornar a diretiva ainda pior doq eu quando começou. No entanto, pelo menos um país que contribuiu para isso já reverteu o seu voto. Nós todos devemos fazer o máximo agora para convencer um país europeu a mais para mudar o seu voto, e para convencer os novos membros eleitos do Parlamento Europeu para manter o voto de antes. Acesse www.ffii.org (http://www.ffii.org/) para mais informações sobre como ajudar, e para entrar em contato com outros ativistas.


Copyright (C) 2004 Richard Stallman

A cópia fiel e a distribuição deste artigo completo é permitida em qualquer
meio, desde que esta nota seja preservada.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Patentes de software

São um problema para desenvolvedores e empresas pequenas.

Patentes são uma coisa boa. Elas concedem a um inventor um monopólio (por um tempo limitado) sobre suas invenções. Isso serve como um incentivo financeiro para que esse inventor considere economicamente viável continuar inventando coisas úteis para a sociedade em geral em vez de abrir mais uma cerveja e mudar o canal da televisão. O ponto-chave é que, para patentear alguma invenção, você precisa, primeiro, inventá-la.

O que pode parece óbvio à primeira vista, não é. É importante avisar: eu não sou um advogado e não entendo mais desse assunto do que qualquer leigo munido de curiosidade possa aprender em relativamente pouco tempo. Por favor, não tomem minhas palavras como aconselhamento jurídico. Eu sou tão competente para dar assessoria jurídica quanto sou para fazer um bypass cardíaco e, acredite, você não vai querer me ver com um bisturi na mão. Assim sendo, vamos lá.

Aqui no Brasil, felizmente, um inventor não pode patentear apenas idéias. Para que tenha o direito de patentear algo, ele precisa, no mínimo, desse "algo". Patentes como a famosa "one click shopping" da Amazon.com (que impedem que outras lojas americanas tenham o mesmo mecanismo), do algoritmo de compressão LZW (da Unisys, usado em arquivos .GIF, por exemplo) ou do "duplo clique em PDAs", da Microsoft, não têm sustentação aqui no Brasil.

Não têm porque se referem apenas a idéias e processos.

Patentear idéias é ruim?

"Se todos tivessem entendido o jeito como patentes seriam concedidas na época em que a maioria das idéias atuais foram inventadas e as tivesse patenteado, a indústria estaria completamente paralisada... A solução é patentear tudo o que pudermos. No futuro, toda nova empresa sem nenhuma patente própria será obrigada a pagar qualquer preço que grandes empresas impuserem. Esse preço poderá ser alto. Empresas estabelecidas têm o interesse de eliminar futuros competidores."

Bill Gates, memorando interno, 1991

O problema com patentear idéias que jamais serão usadas pelo seu inventor é que você nunca sabe quando você vai pisar em uma. Patentes de software são descritas como "minas terrestres para programadores".

Patentes-submarino

O principal propósito militar de um submarino é o de cumprir suas missões sem ser detectado. Seus alvos não têm idéia de que ele estava lá até que estejam removendo escombros e apagando incêndios. Muitas vezes, patentes são usadas assim.

Imagine que você vive em um país que permite esse tipo de patente e que recebeu patentes sobre uns cinqüenta processos ou modelos de negócios diferentes. Podem até mesmo ser variações de coisas que já existem, como, por exemplo, uma forma de leilão em que a única coisa nova é o fato de você poder participar dele pela web. Tanto faz. Desde que o escritório de patentes local as tenha concedido, elas são, até prova em contrário, válidas.

Feito isso, você fica quieto e se finge de morto até que alguém resolva investir em um dos modelos de negócio (ou processos - pense em "one click shopping") que você patenteou e comece a ganhar muito dinheiro com ele.

Nessa hora você chama advogados de patentes que fixem seus honorários em função das indenizações recebidas ou de acordos firmados e parte para a briga. Face à perspectiva de gastar muito mais dinheiro do que tem (os queixosos pedem cifras na casa de bilhões de dólares) em uma indenização ou em um processo para provar que a patente é ridícula e que nunca deveria ter sido concedida, a vítima vai propor um acordo. E para você, que nunca fez nada com suas idéias e sem investir um tostão sequer (além das custas de patentear algo), que nunca correu qualquer risco apostando nelas e que nem sabia se elas eram mesmo viáveis ou não, acaba de ficar com uma parte expressiva do faturamento da sua vítima.

O que incomodava Bill Gates em 1991 ainda incomoda. Uma empresa chamada Eolas, que nunca, jamais, lançou um único produto, tem uma patente que descreve, mais ou menos, como se coloca programas (controles ActiveX ou applets Java) em uma página web. Essa empresa está processando a Microsoft porque o Internet Explorer viola essa patente.

A Sun fez um acordo com a Kodak sobre patentes que a máquina virtual Java supostamente infringia. Essas tecnologias foram patenteadas pela Wang, uma empresa que foi comprada pela Kodak e, se eu entendi bem a história, são usadas desde sempre por quase tudo mundo.

Todos os fabricantes de câmeras digitais “pagam pedágio” para uma empresa chamada Forgent, que patenteou algo que o compressor J-PEG usa.

Patentes são usadas, hoje em dia, como uma forma de defesa contra processos por violação de patentes. Parece estranho, mas é muito parecido com a construção de imensos arsenais nucleares durante a Guerra Fria. Se você tem muitas patentes importantes, é quase certo que todos os seus competidores violem uma ou outra. Quando isso acontece, você assina um acordo de licenciamento cruzado com seus competidores, ganha acesso às patentes deles e eles ganham acesso às suas. É por isso que a AMD e Intel usam quase que à vontade as invenções de qualquer uma das duas - elas estão há tanto tempo violando as patentes uma da outra que já não se pode dizer ao certo (sem ajuda de um advogado, de um engenheiro e de um historiador) onde começam as patentes de uma e onde terminam as patentes da outra.

A coisa fica muito ruim (como Bill Gates resumiu tão bem) quando você é uma empresa pequena e ainda não patenteou nada importante. Paradoxalmente, quando patentes são usadas assim, elas prejudicam a capacidade de inovação do mercado, tornando arriscado lançar um novo produto. Com elas, a invenção de coisas novas só é possível dentro de grandes detentores de patentes.

A menos que você tenha morado pelos últimos 30 anos em uma caverna, sabe perfeitamente bem que grandes empresas dificilmente inventam coisas realmente revolucionárias.

Não tenho qualquer carinho especial pela Microsoft, pela Sun, pela Intel, AMD ou pelos fabricantes de câmeras digitais, mas eu acho que a coisa passou dos limites. Tudo o que não quero é correr o risco de pisar em uma patente dessas e acabar ficando sem um produto. Ou uma perna.

"Mas aqui não tem, né?"

Não, não tem. Mas há perigo. Existe pressão política para unificar os modelos de patentes como parte de vários acordos de comércio. Interesses econômicos também são um risco - se uma empresa espera ganhar, digamos, um bilhão de reais com suas patentes de software, faz todo o sentido do mundo ela "investir" menos dinheiro do que isso na campanha de políticos que sejam favoráveis a elas. Na verdade, eu estou usando incorretamente a palavra investir, já que não existe "investimento em campanha". "Doações de campanha" chamam-se doações porque quem doa não espera nada em troca, então, a rigor, empresas que doam dinheiro para políticos não esperam nada em troca.

Outro grande risco são os conflitos que inevitavelmente vão surgir entre aqueles que têm poucas patentes (porque sempre foram rigorosos na avaliação de patentes) e aqueles que têm muitas (porque deixam patentear qualquer coisa, mesmo óbvia ou patentemente - desculpe, não resisti - imbecil).

Para nós, cidadãos, não há muito o que fazer além de espernear e fazer barulho. Ainda espero um político que se posicione claramente contra patentes de software para que ele ganhe meu voto. Ou ele foi muito discreto em sua campanha, ou ainda não apareceu.

O europeu do ano

Na linha "espernear", podemos fazer algo, mas é bom que seja logo.

No ano passado, o Parlamento Europeu (eu sei que moro na América do Sul, mas não temos um Parlamento Sul-Americano, ao menos não um de verdade) rejeitou uma proposta que unificaria (do jeito errado, claro) os critérios de aprovação de patentes no continente. Com ela, patentes como "duplo clique em PDAs" seriam válidas.

Um dos candidatos ao prêmio de "Europeu do Ano", um prêmio dado pela European Voice é Florian Müller. Florian é um desenvolvedor de software e está por trás de uma bem-sucedida campanha contra as patentes de software.

Florian concorre em duas categorias, Militante do Ano (Campaigner of the Year) e Europeu do Ano (Euopean of the Year). Infelizmente, o formulário de voto exige que se escolha candidatos em todas as categorias ou o voto não é computado. No site No Software Patents existem recomendações de candidatos para todas as categorias. No meu voto eu fiz uma pequena emenda e votei em Carlos Ghosn (CEO da Renault) como Empresário do Ano (Business Leader of the Year) pela vantagem marginal de ter nascido brasileiro.

Para votar, você deve dar um nome e e-mail verdadeiros, primeiro porque isso é sério e depois porque você vai precisar validar o seu voto clicando em um link que vai estar em uma mensagem enviada para o e-mail que você deu.

Vale a pena correr, porque os votos têm que ser dados até dia 11 de novembro desse ano. O trabalho de Florian é importante. Votando nele estaremos deixando claro que nós não queremos esse tipo de patente. Votar nele é deixar claro que não aprovamos o que grandes detentores de patentes nessa área tentam, constantemente, fazer. Se deixarmos suficientemente claro, pode ser que eles não queiram fazer isso por aqui.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Licenças Shared Source da Microsoft

Título original: FSFE comenta novas licenças do programa Shared Source da Microsoft

“Já que nós raramente temos a oportunidade de dizer algo positivo sobre a Microsoft, deixe-me começar parabenizando-a”, diz Georg Greve, presidente da Free Software Foundation Europa. “A Microsoft finalmente parece ter avançado em direção a liberdade dos seus usuários: das cinco licenças publicadas, à primeira vista duas delas parecem seguir a “Free Software Definition” (Definição de Software Livre).”

De acordo com a primeira leitura da FSFE, a “Microsoft Permissive License” (Ms-PL) e a “Microsoft Community License” (Ms-CL) aparentam satisfazer as quatro liberdades que definem o Software Livre. Em particular: a Ms-CL também traz aparentemente uma variação da idéia do Copyleft, que foi implementada pela primeira vez pela GNU General Public License (GPL).

Dadas declarações anteriores da Microsoft a respeito do Copyleft e particularmente sobre a GNU GPL como sendo “viral”, “cancerígena” e “comunista”, ver agora a Microsoft publicar estes mesmos princípios é uma evolução.

Naturalmente, não é a publicação de uma licença, mas sim de software sob ela que dá aos seus usuários liberdade:

É obviamente não muito útil se cada compania, administração ou autor resolver publicar suas próprias licenças; logo seria preferível que a Microsoft tivesse decidido por adotar a GNU General Public License (GPL) e a GNU Lesser General Public License (LGPL) para seu programa chamado “Shared Source” (Código Compartilhado).

Mais de 50% dos Softwares Livres existentes estão publicados sob estas licenças, elas são bem conhecidas e as pessoas tem bons motivos para confiar nelas.

“A Microsoft caminhou um quilômetro e agora está a poucos centímetros da GNU (L)GPL: Nós entendemos completamente que a Microsoft está tentando enfiar a unha do dedinho na comunidade Software Livre, e nós recebemos isso com boas-vindas,” continua Greve. “Mas preferíamos ver com o tempo a Microsoft se juntar a comunidade global de vendedores comerciais de software GNU (L)GPL.”

“Por agora, seria bom se a Microsoft começasse a relicenciar seu portifólio sob a Ms-PL ou Ms-CL; mas nós ainda temos que alertar as pessoas a terem cuidado com relação ao rótulo de “Shared Source” e olhar as licenças usadas caso a caso: As outras três licenças o programa “Shared Source” são claramente proprietárias e obviamente não podem ser chamadas de Software Livre.” conclui Greve.

As Free Software Foundations precisarão de mais tempo para estudar estas licenças e as interações delas com outras licenças mais profundamente, então esta não é uma avaliação final – e a avaliação final pode certamente revelar problemas que não foram visíveis à primeira vista.

A Microsoft ainda tem um longo caminho a seguir, mas por agora parece que eles deram um passo na direção correta, e a Free Software Foundation Europa espera que eles se mantenham nessa direção.

Sobre a Free Software Foundation Europe:

A Free Software Foundation Europe (FSFE), fundada em 2001, é uma organização não-governamental dedicada a todos os aspectos do Software Livre na Europa. Acesso ao software determina quem deve ou não participar numa sociedade digital. A liberdade de usar, copiar, modificar e redistribuir software - como descrito na definição de Software Livre - permite participação igualitária na era da informação. Alertar sobre estas questões, assegurando o Software Livre política e legalmente, e dando liberdade as pessoas suportando o desenvolvimento de Software Livre são as questões centrais da FSFE. Mais informações sobre o trabalho da FSFE podem ser encontradas em http://fsfeurope.org, e participe ativamente http://fsfeurope.org/contribute/.

Link para licenças:
www.microsoft.com/resources/sharedsource/licensingbasics/sharedsourcelicenses.mspx

segunda-feira, agosto 08, 2005

O Direito a Ler

Por Richard Stallman

Este artigo foi publicado na edição de fevereiro de 1997
de Communications of the ACM (Volume 40, Number 2)

(de "The Road to Tycho" , uma coleção de artigos sobre os
antecedentes da Revolução Lunar, publicado em Luna City,
em 2096)

Para Dan Halbert, o caminho para Tycho começou na
faculdade, quando Lissa Lenz pediu seu computador
emprestado. O dela havia quebrado, e, a não ser que
ela conseguisse um outro emprestado, ela não conseguiria
terminar seu projeto bimestral. E não havia ninguém a quem
ela ousasse pedir isso, exceto Dan.

Isso deixou Dan num dilema. Ele tinha que ajuda-la,
mas se emprestasse seu computador, ela poderia ler seus
livros. Além do fato de que você pode ir para a prisão por
muitos anos por deixar alguém ler seus livros, a própria
idéia o chocou a príncipio. Como todos mais, lhe tinham
ensinado desde o primário que emprestar livros era algo
terrível e errado, algo que só piratas fariam.

E não havia muita chance de que a SPA - Software Protection
Authority - não o descubrisse. Na sua aula de software,
Dan havi aprendido que cada livro tinha embutido um
monitor de copyright que informava quando e onde ele era
lido, e por quem, para a Central de Licenciamento. (Eles
usavam essa informação para pegar piratas de leitura,
mas também para vender perfis de preferência de leitura
para vendedores.) Na próxima vez em que seu computador
estivesse conectado à rede, a Central de Licenciamento
iria saber. Ele, como dono do computador, receberia a dura
punição, por não ter feito os sacrifícios necessários para
evitar o crime.

Claro que Lissa não pretendia, necessariamente, ler seus
livros. Ele poderia quer o computador apenas para escrever
seu projeto. Mas Dan sabia que ela vinha de uma família
de classe média e mal podia arcar com as mensalidades,
quanto mais suas taxas de leitura. Ler os livros de Dan
poderia ser a única forma dela terminar o curso. (10%
dessas taxas iam para os pesquisadores que escreviam
os artigos; uma vez que Dan pensava em seguir carreira
acadêmica, ele tinha esperanças de que seus próprios
artigos de pesquisa, se fossem citados constantemente,
renderiam o suficiente para pagar seu financiamento.)

Mais tarde, Dan aprenderia que havia um tempo em que
qualquer pessoa poderia ir à biblioteca e ler artigos de
periódicos, e até mesmo livros, sem ter que pagar. Haviam
estudiosos independentes que liam milhares de páginas sem
permissões governamentais para uso de biblioteca. Mas
nos idos de 1990, editores tanto comerciais quanto
institucionais de periódicos começaram a cobrar pelo
acesso. Em 2047, bibliotecas oferecendo acesso gratuito
ao público para artigos acadêmicos eram uma lembrança
distante.

Havia formas, claro, de contornar a SPA e a Central de
Licenciamento. Eram, eles mesmos, ilegais. Dan havia
tido um colega na aula de software, Frank Martucci,
que havia obtido uma ferramenta ilegal de depuração,
a usava para pular o código monitor de copyright quando
lia livros. Mas ele contou a muitos amigos sobre isso,
e um deles o entregou à SPA por uma recompensa (estudantes
devedores eram facilmente tentados pela traição). Em 2047,
Frank estava na prisão, não por leitura pirata, mas por
possuir um depurador.

Dan iria aprender depois que havia um tempo em qualquer
pessoa podia ter ferramentas depuradoras. Havia até mesmo
ferramentas depuradoras gratuitas disponíveis em CD, ou que
podiam ser baixadas da rede. Mas usuários normais começaram
a usa-las para passar por cima dos monitores de copyright,
e, eventualmente, um juíz declarou que isso havia se
tornado seu uso principal na prática. Isso significava que
elas se tornaram ilegais. Os desenvolvedores de ferramentas
de depuração foram enviados para a prisão.

Programadores ainda precisavam de ferramentas de depuração,
claro, mas vendedores de depuradores em 2047 distribuiam
apenas cópias numeradas, e apenas para programadores
oficialmente licenciados e juramentados. O depurador que
Dan usou na aula de software era mantido atrás de uma
firewall especial, de forma que podia ser usado somente
para os exercícios da aula.

Também era possível passar por cima dos monitores de
copyright instalando um kernel modificado do sistema
operacional. Dan eventualmente descobriu sobre os kernels
livres, e mesmo sistemas operacionais inteiros livres,
que haviam existido por volta da virada do século. Mas
eles não eram somente ilegais, como os depuradores, você
não poderia instalar um mesmo que tivesse um, sem saber
a senha do administrador do seu computador. E nem o FBI
nem o Suporte da Microsoft lhe diriam qual ela é.

Dan concluiu que ele simplesmente não podia emprestar
seu computador para Lissa. Mas ele não podia se recusar a
ajuda-la, por que ele a amava. Cada chance de falar com ela
o deixava em êstase. E já que ela o havia escolhido para
ajuda-la, isso poderia significar que ela o amava também.

Dan resolveu o dilema fazendo algo ainda mais impensável:
ele emprestou seu computador a ela, e lhe disse sua
senha. Dessa forma, se Lissa lesse seus livros, a
Central de Licenciamento pensaria que ele os estava
lendo. Isso ainda era um crime, mas a SPA não ficaria
sabendo automaticamente sobre ele. Eles só saberiam se
Lissa o entregasse.

Claro, se a faculdade descobrisse que ele tinha dado
a Lissa sua própria senha, seria o fim para ambos
enquanto estudantes, não importa para que ela tivesse
usado essa senha. A política da faculdade era que
qualquer interferência com as formas que ela tinha de
monitorar o uso que os estudantes faziam do computador
era o suficiente para ação disciplinar. Não importava se
você havia feito qualquer coisa danosa, a ofensa tornava
difícil que os administradores verificassem o que você
estava fazendo. Eles assumiam que você estava fazendo
alguma outra coisa que era proibida, e eles não precisavam
saber o que era.

Alunos não eram expulsos por isso normalmente - não
diretamente. Ao invés disso eles eram banidos do sistema
de computadores da faculdade, e iriam, inevitavelmente,
ser reprovados em seus cursos.

Depois, Dan aprenderia que esse tipo de política
universitária havia começado apenas por volta dos
anos 1980, quando mais alunos começaram a usar os
computadores. Anteriormente, as universidades tinham
uma abordagem diferente para a disciplina; eles puniam
atividades que eram danosas, não aquelas que meramente
levantavam suspeitas.

Lissa não denunciou Dan para a SPA. Sua decisão de ajuda-la
levou ao casamento dos dois, e também os levou a questionar
o que eles tinham aprendido sobre pirataria enquanto
crianças. O casal começou a aprender sobre a história do
copyright, sobre a União Soviética e suas restrições para
cópias, e mesmo sobre a Constituição original dos Estados
Unidos. Eles se mudaram para Luna, onde eles encontraram
outros que, da mesma forma, haviam gravitado para longe
do longo braço da SPA. Quando o Levante de Tycho começou
em 2062, o direito universal de leitura rapidamente se
tornou um de seus objetivos centrais.


Nota do autor
=============

Esta nota foi atualizada em 2002.

O direito de leitura é uma batalha que está sendo travada
hoje. Embora ainda possa levar 50 anos para nossa forma
corrente de vida desaparecer na obscuridade, a maior parte
das leis e práticas descritas acima já foram propostas -
Ou pela administração Clinton, ou por editores.

Há uma excessão: a idéia de que o FBI e a Microsoft
terão a senha de administrador (root) dos computadores
pessoais. Isso é uma extrapolação do Clipper chip
e propostas similares da Administração Clinton, em
conjunto com uma tendência a longo prazo: sistemas de
computador estão mais e mais propensos a deixar o controle
a operadores remotos do que a pessoas propriamente usando
o sustema.

Mas nós estamos chegando muito próximos deste ponto. Em
2001, o senador Hollings, bancado pela Disney, propôs uma
lei chamada SSSCA que exigiria de cada novo computador
um sistema de restrição de cópias, o qual o usuário não
poderia ultrapassar.

Em 2001, os Estados Unidos propuseram que no tratado da
área de livre comércio das Américas (FTAA, Federal Trade
Area of the Americas) as mesmas regras fossem impostas a
todos os países do hemisfério ocidental. O FTAA é um dos
assim chamados tratados de "livre comércio" que na verdade
são desenvolvidos para dar às empresas mais poder sobre
governos democráticos; impôr leis como o Ato do Copyright
é típico de tal espírito. A Electronic Frotnier Foundation (http://www.eff.org/)
pede às pessoas que expliquem para outros governos porque
deveriam se opor ao plano.

A SPA, que na verdade quer dizer 'Software Publisher's
Association' (Associação dos Editores de Software), não
é, hoje, uma força policial oficial. Extra-oficialmente,
ela age como uma. Ela convida as pessoas a delatarem seus
colegas de trabalho e amigos; como a Administração Clinton,
ela advoga uma política de responsablidade coletiva na
qual donos de computadores devem ativamente endossar os
copyrights ou serem punidos.

A SPA está presentemente ameaçando pequenos provedores de
serviço para a Internet, exigindo que eles permitam que a
SPA monitore todos os usuários. A maioria dos provedores se
rende quando ameaçada, por que eles não podem arcar com a
batalha judicial. (Atlanta Journal-Constitution, 1 Oct 96,
D3.) Pelo menos um provedor, Community ConneXion em Oakland
CA, recusou a exigência e foi processado (https://www.c2.net/ispdc/).
Diz-se que a SPA
desistiu desse processo recentemente, mas eles certamente
continuarão sua campanha de várias outras formas.

As políticas de segurança de universidades descritas
acima não são imaginárias. Por exemplo, um computador
numa universidade na área de Chigago imprime esta mensagem
quando você efetua o log in (as aspas estão no original):

Este sistema é para uso apenas de usuários autorizados.
Indivíduos usando este sistema de computação sem permissão, ou
excedendo sua permissão estão sujeitos a terem toda a sua atividade
neste sistema monitorada e gravada pelo pessoal da administração. No
caso de monitoramento de individuos fazendo uso incorreto desse
sistema, ou no caso de manutenção do sistema, as atividades de
usuários autorizados também poderá ser monitorada. Qualquer um usando
o sistema expressamente consente com tal monitoramento, e é avisado de
que tal se monitoramento revelar possíveis evidências de atividades
ilegais, ou violação dos regulamentos da Universidade, a administração
pode fornecer a evidência de tais atividades para autoridades da
Universidade e/ou oficiais da lei. ¨

Esta é uma abordagem interessante para a Quarta Emenda [da
constituição dos EUA]: pressiona quase todas as pessoas a
concordarem, antecipadamente, a abdicar de seus direitos
sob a mesma.


Referências
===========

- The administration's "White Paper": Information Infrastructure Task
Force, Intellectual Property and the National Information
Infrastructure: The Report of the Working Group on Intellectual
Property Rights (1995).
- An explanation of the White Paper: The Copyright Grab, Pamela
Samuelson, Wired, Jan. 1996
(http://www.wired.com/wired/archive/4.01/white.paper_pr.html)
- Sold Out, James Boyle, New York Times, 31 March 1996
(http://www.ese.ogi.edu/sold.out.html)
- Public Data or Private Data, Washington Post, 4 Nov 1996
(http://wp2.washingtonpost.com/cgi-bin/displaySearch?WPlate+33653+%28database%26geneva%29%3Adescription%26and%2619961102%3Cevent%5Fdate)
- Union for the Public Domain (http://www.public-domain.org/): Uma
nova organização que pretende resistir e reverter a extensão exagerada
dos poderes da propriedade intelectual.


Outros textos
=============

- A Filosofia do Projeto GNU (http://www.gnu.org/philosophy/philosophy.pt.html)
- Proteção Contra Cópia: Apenas Diga Não, publicado na revista
Computer World.
(http://www.computerworld.com/cwi/story/0,1199,NAV47-68-84-91_STO49358,00.html)

As notas do autor falam sobre a batalha pelo direito de
ler e sobre a vigilância eletrônica. A batalha está se
iniciando agora; aqui temos links para dois artigos sobre
tecnologias sendo desenvolvidas agora para nos negar o
direito de ler.

- Electronic Publishing:
(http://www.zdnet.com/zdnn/stories/news/0,4586,2324939,00.html)
Um artigo sobre a distribuição
de livros em forma eletrônica e questões de copyright que
afetam o nosso direito de ler uma cópia.
- Books inside Computers:
(http://channels.microsoft.com/presspass/press/1999/Aug99/SeyboldPR.asp)
Software para controlar quem pode ler livros e documentos
em um PC.

A Cópia exata e distribuição desse artigo inteiro é
permitida em qualquer meio, desde que esta nota seja
preservada.

Copyright 1996 Richard Stallman

Traduzido por: João S. O. Bueno <gwidion@mpc.com.br>
Tradução autalizada por: Sérgio Vinícius <sergio@europanet.com.br>

domingo, abril 10, 2005

Próxima versão do Windows?

Há dez anos, a Microsoft apresentou o Windows 95 de uma forma que sugeria que a chegada do produto era equivalente ao momento em que os seres humanos ficaram eretos pela primeira vez.

A empresa gastou cerca de US$ 200 milhões no lançamento do sistema operacional. Isto pagou pelas festividades no campus da Microsoft (com Jay Leno como mestre de cerimônia), o direito de usar a canção "Start Me Up" dos Rolling Stones em uma campanha de publicidade mundial e a permissão para iluminar à noite o edifício Empire State com o logo do Windows.

Também encheu a edição daquele dia do jornal "The Times" de Londres com propaganda do Windows 95, tornando aquela edição do jornal gratuita pela primeira vez em 307 anos.

O que foi notável no lançamento do Windows 95 foi a submissão dos consumidores, que participaram de bom grado do espetáculo. A Microsoft acertou com as lojas do varejo a abertura à meia-noite do dia do lançamento do sistema, uma estratégia que provou ser tão irresistível quanto holofotes em uma estréia de Hollywood. Uma rede contou cerca de 50 mil pessoas fazendo fila em suas lojas por todo o país.

Aquelas pessoas estavam atrás de um sistema operacional --um encanamento que serve a uma função especial, é claro, mas do mesmo interesse que os canos que serpenteiam sob o piso de uma casa. Mas em 1995, a Microsoft conseguiu fazer o mundano parecer inovador. O "Seattle Times" citou um feliz cliente da meia-noite, acompanhado de sua esposa, que previu que "isto melhorará o nosso casamento".

O Windows XP, lançado em 2001, não conseguiu igualar a estréia notável do Windows 95. Nós podemos torcer para que o sucessor do XP, que tem o codinome "Longhorn" e cujo lançamento está previsto para o próximo ano, desponte discretamente, nos deixando mais próximos do dia em que os usuários não precisarão saber mais sobre um sistema operacional de um PC do que sabem sobre o software presente em um telefone celular.

A gestação do Longhorn já ultrapassou em muito o prazo originalmente planejado. Rumores de sua existência surgiram em 2001, quando foi dito que o sistema tinha sido escolhido como uma rápida atualização "intermediária" do XP. O tempo passou, e a mídia foi autorizada a ver uma prévia. Mas mesmo a conclusão disto, um lançamento interino, demorou.

Determinada a lançá-lo em 2006, a Microsoft decidiu em 2004 remover um novo sistema de arquivos para organização de dados no disco rígido, o que a empresa tinha promovido anteriormente como o coração do novo sistema. Quando e se este elemento aparecerá, dificilmente melhorará o casamento de alguém.

Arrependida de ter anunciado um elemento importante que subseqüentemente teve que remover, a empresa decidiu ficar quieta sobre outros aspectos pelo máximo de tempo possível.

A Microsoft deu aos desenvolvedores de software versões beta de dois novos componentes, para gráficos e serviços de Internet, mas estes também estarão disponíveis para os proprietários do Windows XP. A empresa ainda precisa dizer o que será exatamente uma melhoria exclusiva do Longhorn.

A reticência da Microsoft não poderá durar muito. Em duas semanas, ela será anfitriã de uma conferência de vendedores de hardware, na qual estabelecerá as especificações mínimas necessárias para que o Longhorn possa ser rodado.

Você pode estar ansioso para saber se o PC em sua mesa atenderá as especificações. Se seu PC não atender, é improvável que você o substitua para rodar a mais recente versão do Windows. Michael Cherry, analista sênior para Microsoft da Directions, uma empresa de consultoria com sede em Kirkland, Washington, observou que muitos usuários de PC agora estão tratando seus computadores como aparelhos de TV.

"A menos que a TV não funcione", ele disse, "eles não as substituirão".

Cherry expressou ceticismo quanto ao apelo de melhores gráficos para ele e outros que gastam a maior parte do tempo usando um processador de texto, um programa de e-mail e um browser. "Como gráficos 3D vão de fato mudar minha vida?" ele perguntou.

Outro analista, Rob Enderle, presidente do Enderle Group, saudou o sistema com mais entusiasmo, prevendo que o Longhorn fornecerá "enormes melhorias em segurança".

Nós podemos saudar esta perspectiva feliz, mas ao mesmo tempo temos que ignorar os risos de desdém dos usuários do Macintosh, que ainda precisam saber o que é encontrar um vírus. Independente de quão sólido e seguro possa parecer o código do Longhorn, a Microsoft precisará de muitas vozes independentes que lhe forneçam verificação e garantia.

Os profissionais responsáveis pelos PCs corporativos parecem atualmente desconfiados das promessas da Microsoft, desprezando o mais recente pacote de melhorias de segurança e consertos de bugs oferecido para o Windows XP.

Em 4 de abril, a AssetMetrix Research Labs, uma empresa de pesquisa com sede em Ottawa, divulgou os resultados de uma pesquisa envolvendo 251 empresas norte-americanas, avaliando a adoção do Windows XP. Apenas 7% das empresas implementaram as mais recentes melhorias, o Service Pack 2, apresentado seis meses atrás. As melhorias provocaram problemas de compatibilidade de software. Eles podem ser superados com algum trabalho, mas não sem agravamento e custo adicional para consertos que, desde o início, não deveriam ser necessários.

Problemas de compatibilidade se agravarão no futuro. O Longhorn dificilmente coexistirá em paz com o software existente no sistema operacional. Enderle disse que o maior ganho de segurança exigirá uma ruptura com o software complementar do passado, o que significa que "a compatibilidade sofrerá".

O Windows XP poderá provar ser um tenaz chefe de família, não disposto a ceder lugar para a próxima geração. Apesar dos problemas de segurança, ele é a versão mais estável do Windows até o momento. Tal estabilidade dificultará para a empresa vender o Longhorn como um lançamento mais importante do que o próprio XP, uma previsão que Bill Gates, o presidente da Microsoft, fez em 2003.

As previsões não são boas quando o mundo da computação se move mais depressa do que a massa pesada da divisão Windows da Microsoft. O Linux representa um modelo alternativo, empregando pés ágeis e lançamentos freqüentes.

Mark Lucovsky, um engenheiro de software, descreveu recentemente em seu blog o processo de escrever o código para um projeto como o Longhorn e a longa espera antes que chegue ao PC do usuário.

Primeiro, uma correção de bug ou elemento adicional é depositado em um sistema de controle do código fonte, onde pode ficar por anos. Eventualmente ele é transferido para um lançamento de produto e gravado em CDs. Meses se passam, mesmo no estágio final, do lançamento e produção até chegar ao departamento do cliente. Lento.

Por outro lado, os engenheiros que trabalham nas melhorias para uma nova forma de sistema operacional, o software que serve aos sites na Internet, podem implementar o trabalho quase que instantaneamente. Lucovsky reconta como um amigo na Amazon descobriu um problema de performance, descobriu como consertá-lo, testou e o implementou, tudo em um dia.

"Nenhum cliente teve que fazer o download de um saco de bits, responder perguntas idiotas, provar que não é um ladrão de software, reinicializar o computador, etc.", ele escreveu. "O software foi enviado a eles, e não tiveram que mover um dedo."

Os comentários de Lucovsky são de interesse porque ele sabe algo sobre o desenvolvimento de sistemas operacionais. Ele foi o arquiteto sênior do Windows NT, foi o principal guardião das chaves do código fonte e foi nomeado pela Microsoft, em 2000, como um de seus engenheiros ilustres. Mas recentemente, após 16 anos na Microsoft, ele disse que decidiu que estava errado ao achar que a Microsoft sabia melhor "como fornecer software".

Foram outras empresas, aquelas que perceberam o potencial da Internet e do software como serviço, que melhor conseguiram oferecer benefícios para os clientes "de forma rápida e eficiente", disse ele. Ele pediu demissão da Microsoft e se juntou a uma destas outras empresas: a Google.

original: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2005/04/10/ult574u5295.jhtm

sexta-feira, março 18, 2005

MIT recomenda software livre ao governo brasileiro

O Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o prestigiado MIT, recomendou ao governo brasileiro a adoção do software livre - em vez de sistema proprietário oferecido pela Microsoft - no programa PC Conectado, que tem como objetivo vender milhares de computadores à população de baixa renda com preços reduzidos. A recomendação consta em uma carta obtida hoje pela Reuters.

"Nós defendemos o uso de software livre de alta qualidade como oposição ao uso de versões reduzidas de programas proprietários de custo maior", afirmou o diretor do laboratório do MIT, Walter Bender, em carta enviada ao governo brasileiro. "Software livre é melhor em termos de custos, poder e qualidade."

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários ministros podem decidir em breve se software livre ou uma versão simplificada do Windows será instalada nos computadores do programa. O projeto tem meta de vender até 1 milhão de computadores em um ano, com custos parcialmente subsidiados pelo governo.

A decisão final sobre qual software será instalado já foi adiada algumas vezes. Alguns membros do governo acreditam que os consumidores deveriam poder escolher entre comprar um computador com código livre e pagar um pouco mais por uma máquina com software da Microsoft. A preocupação é que esta alternativa faria mais sentido para consumidores que já estão familiarizados com a plataforma da Microsoft.

Entretanto, defensores do software livre na administração federal acreditam que a Microsoft deveria ficar fora do programa. Muitas instâncias do governo estão migrando para o Linux, para reduzir milhões de dólares em custos com licenciamento de software. "Uma vez que o crescimento econômico sustentado baseia-se em contribuições a uma economia criativa e baseada em conhecimento, é óbvio para nós que o melhor caminho é fornecer a maior penetração de mercado possível", afirmaram Bender e o co-autor da carta, o cientista David Cavallo. "É também óbvio que a tecnologia mais poderosa e a custo mais baixo fornece a maior penetração."

A Microsoft não comentou o assunto.