sexta-feira, outubro 19, 2007
O FIM da Marinha
- Por Cristovam Buarque
Na Comissão de Relações Exteriores assistimos ao depoimento do Almirante Júlio Soares (comandante da Marinha) sobre a situação da Marinha no Brasil. Amanhã, é fácil imaginar quais serão as possíveis manchetes dos jornais. Provavelmente sobre a subida do dólar, sobre algum vazamento da Polícia Federal, alguma notícia de corrupção, alguma notícia sobre violência urbana.
Mas eu creio que a mais importante manchete amanhã, se ela fosse refletir o que eu assisti hoje, a maior manchete, a de maior repercussão para o futuro do Brasil seria dizer: em 2025, a Marinha do Brasil não existirá mais.
Foi isso que o Almirante, Comandante da Marinha, com muita competência, com muita franqueza, colocou para nós: um quadro onde ele mostrava o que vai acontecer se não houver uma reversão da tendência, o que vai acontecer se a tendência continuar, em 2025.
E ele colocou em letras garrafais a palavra “fim” da Marinha no Brasil. Lamentavelmente, essa não vai ser a manchete, porque, lamentavelmente, enquanto isso acontece o que vemos? O Ministro da Defesa, recém-chegado, não passa hoje do gerente do tráfego aéreo brasileiro.
Não é um Ministro da Defesa, é um gerente, um diretor, um presidente da Infraero. Não assumiu! E ainda mais grave: preocupado, entre outras coisas, com a distância entre as cadeiras, esquecendo que não é só gente alta que tem problemas nos aviões. O gordo e o deficiente físico também têm. Não apenas os altos como ele.
Um Ministro da Defesa é para pensar a segurança nacional; onde estarão a Marinha, a Aeronáutica, as Forças Armadas em 2025, 2050, 2100. Não vemos essa preocupação. E não me digam que essa preocupação não é urgente.
Ela é urgente! E não me digam que isso não está na cabeça das pessoas, porque se não está na cabeça das pessoas, nós, como líderes, temos de colocar nas cabeças do povo brasileiro o que de fato é importante.
Claro que o problema do tráfego aéreo é importante. Mas basta um bom gerente cuidando disso na Infraero. Basta chamar o comandante da Aeronáutica e dizer “ponha ordem nisso, senão eu o demito”.
É nomear um gerente e dizer: “ponha ordem nisso, senão você não fica mais de um mês”. E deixe o Ministro cuidar dos problemas fundamentais da defesa nacional. Mas não é só o Ministro.
E enquanto a Marinha caminha para isso, o que vemos neste Senado? Preocupados nós com os problemas que ameaçam o Presidente do Senado; preocupados com pequenas coisas de um lado para outro, no máximo convidando aqui o comandante da Marinha para falar para um pequeno grupo de senadores na Comissão de Relações Exteriores.
Será que a gente não tem por obrigação, cada um de nós, de mostrar ao povo brasileiro o que vai acontecer no momento em que nossa Marinha se transformar em fantasmas?
Será que não é importante dizer que este País tem 8,5 milhões de km2 de terra, mas tem 4,5 milhões de km2 de mar? É mais da metade do território brasileiro o espaço marítimo que o Brasil tem.
Será que não vale a pena lembrar que 90% do comércio chega e sai do Brasil por vias marítimas? Que 80% do petróleo vem por vias marítimas?
Que a perda do controle das fronteiras marítimas e a falta de uma Marinhapodem, sim, ameaçar isso? É uma tragédia nacional.
Será que a gente não tem que alertar que grande parte dos recursos nacionais, não só petróleo, estão debaixo do mar? É lá que vamos encontrar a fonte de recursos. Lamentavelmente, não vemos isso no Ministro da Defesa, nem entre nós senadores.
Diante de nós, uma tragédia está sendo escrita, e a gente não está lendo. E 2025 é depois de amanhã. Mas, o mais grave, para se reverter isso: levam-se cinco anos só para fazer um navio; levam-se dez anos para se trazer uma nova estratégia.
Se começarmos hoje, talvez já estejamos chegando atrasados. E o pior é que a gente sabe que não vai começar hoje, nem no próximo ano. E não sabemos se vamos começar no ano seguinte. A tragédia se anuncia, e a gente, discutindo outras coisas.
Eu não disse coisas menores, porque as coisas todas são importantes, mas coisas cujas conseqüências não terão a tragédia do que é fundamental. E uma das coisas fundamentais, em um país que tem o espaço aéreo brasileiro, que é o quarto ou quinto maior do mundo, que tem 7.540Km de costa, talvez a terceira ou quarta maior do mundo inteiro.
Temos uma Amazônia cobiçada internacionalmente, cuja defesa, em parte, será feita pela Marinha, ou não será feita. Temos fronteiras com dez países e talvez poucos tenham tantas fronteiras terrestres como nós temos.
São 14 mil quilômetros de fronteiras a serem preservadas, protegidas, não só de governos estrangeiros, protegidas porque em algum momento a migração internacional pode ameaçar a estabilidade brasileira, protegidas porque o tráfico penetra por elas, protegidas porque a cobiça internacional por recursos entra por elas, e um dos recursos mais escassos futuros será água, e o Brasil é um portador desses recursos na maior quantidade.
Hoje, estamos abandonando a Marinha, a Aeronáutica, o Exército como se fôssemos uma nação pequena, menor e não um país com a necessidade de se comportar como potência.
Fala-se em potência com base no PIB. É claro que o Produto Interno Bruto é um indicador, mas mais importante do que o Produto Interno Bruto de hoje é a capacidade de produzir mais amanhã e isso a gente não está tendo.
Não está tendo porque, daqui para frente, o Produto Interno Bruto será criado pela ciência e pela tecnologia, será defendido por Forças Armadas preparadas, competentes e patrióticas. Isso a gente não está vendo do ponto de vista de nós, os líderes nacionais, darmos às Forças Armadas.
Eu imaginava que um Almirante pudesse vir ao Senado para falar do cenário do futuro, das estratégias de como a gente vai se comportar no Atlântico Sul, como vamos nos comportar nas vias fluviais que fazem fronteira com outros países. Quais são os cenários para proteger a Amazônia através do Rio Amazonas?
Quais são os cenários de estratégia para fazer da Marinha um importante centro de formação da consciência nacional e nacionalista brasileira.
Lamentavelmente, em vez disso, o Almirante é obrigado a usar de sua competência e firmeza para dizer: nós estamos pedindo socorro.
Vejam a situação em que vive a nossa Marinha. Dos 21 navios existentes, 11 estão imobilizados e 10 operam com restrições. Dos 5 submarinos, 2 imobilizados e 2 operando com restrições. Então, só tem 1. Dos 58 helicópteros, 27 estão imobilizados e 31 operando com restrições - todos.
Das aeronaves, 23 - 21 delas imobilizadas e 2 operando com restrições.
Não é a Marinha que nós precisamos para o tamanho do Brasil. Agora, isto explica porque. Se nós analisamos os dados da vida do arsenal, dos submarinos - que há necessidade - 12. Só temos 5. Sabem qual a idade deles? Em média, 10 anos. A idade dos navios-patrulha - 14 anos.
A idade do porta-aviões - 46 anos, antes da revolução eletrônica, antes da revolução de grande parte da arquitetura naval. Dos navios-escola, a idade média é de 27 anos; navios de apoio logístico móvel - a idade média é de 31 anos; navios varredores e caça-minas - a idade média é de 34 anos. Navios-patrulha fluviais a idade média é de 33 anos. Navios de transporte a idade média é de 36 anos.
Se olharmos as embarcações de desembarque, 28 anos é a idade média. Os navios de assistência hospitalar têm 17 anos de idade média; os helicópteros têm idade média de 15 anos e os aviões, 30 anos. Aqui não precisamos falar em Tamandaré. Seria bem capaz de Santos Dumont pilotar um avião desses.
Como se pode considerar que tem futuro um País do tamanho brasileiro se não realizarmos a discussão de como resolver esse problema. A Marinha tem competência se dermos recursos, que sendo aplicados a Marinha será fortalecida, criará emprego, dinamizará o setor de ciência e tecnologia.
Os Estados Unidos desenvolveram o setor de ciência e tecnologia em grande parte graças à defesa do próprio País. Foi a pesquisa, para levar adiante a defesa, que permitiu as descobertas que transformaram este País nas últimas décadas.
Confesso que não sabia que durante a Guerra do Paraguai, há 140 anos, a Marinha de Guerra Brasileira era a mais potente do mundo inteiro. Ou seja, a Marinha mais potente do mundo, em torno dos anos de 1860 a 1870, no tempo da Guerra do Paraguai, era a nossa.
E hoje? Um País que se transformou na oitava potência em PIB é uma das últimas em educação, é uma das últimas na proteção à saúde, é uma das últimas em moradia, é a última em concentração de renda e, sem dúvida alguma, é uma das últimas em termos de Forças Armadas que correspondam à dimensão do nosso País de hoje, e, sobretudo, à dimensão do que a gente espera para o futuro.
Lamentavelmente, fica difícil levar esse sonho de Forças Armadas casadas com um País crescendo potente quando a gente vê. Espero que tentemos casar os sonhos que temos para um país potente com as Forças Armadas que correspondam a essa potência.
Não vamos ter uma boa defesa se não tivermos a perspectiva de longo prazo e o sentimento de nação. Hoje, essas duas coisas estão faltando no Brasil. Não há sentimento de nação nem perspectiva de longo prazo e de futuro.
Um país que não é uma nação é um país que não apóia suas Forças Armadas.
E nós, Senadores, não estamos fazendo o dever de casa para que as próximas gerações tenham a tranqüilidade de contar com forças democráticas, de Forças Armadas, que, além de democráticas, sejam também eficientes e competentes para defender o Brasil.
quinta-feira, outubro 18, 2007
Penúria da FAB
Contou que, sem verba, FAB só voa 37% de seus aviões
Disse que Venezuela baterá Brasil em aeronaves de caça
Deveria ser pública a audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. Porém, a pedido do brigadeiro Juniti Saito, fecharam-se as portas. Em reserva, o Comandante da Aeronáutica revelou aos deputados detalhes da situação de penúria vivenciada pela Força Aérea Brasileira. Disse que a FAB não tem dinheiro nem para a manutenção de suas aeronaves.
Segundo apurou o blog, Saito informou que, das 719 aeronaves da Força Aérea apenas 267 (37%) encontram-se em condições de voar. As outras 452 (63%), à espera de manutenção, não têm condições de uso –232 delas estão retidas no solo por falta de dinheiro para a aquisição de peças. A situação tende a piorar.
Segundo o brigadeiro, a frota brasileira é velha. O que torna a sua conservação cada vez mais onerosa. Oito em cada dez aviões da FAB têm mais de 15 anos de uso. A situação, de acordo com o relato de Saito, é incompatível com as atribuições da FAB. Entre elas, segundo as palavras do brigadeiro, anotadas por um dos deputados que o ouviam, está a de “manter a soberania e a defesa do espaço aéreo (13,5 milhões de quilômetros quadrados, incluindo a cobertura da área oceânica).”
Saito fez uma outra revelação que deixou preocupados alguns dos membros da comissão de Defesa da Câmara. Disse que o Brasil ostenta, hoje, a terceira posição na América Latina em relação ao poderio de seus aviões de caça. É superado pelo Peru, primeiro colocado, e pelo Chile, o segundo. E, em 2008, ficará atrás também da Venezuela.
O presidente venezuelano Hugo Chavez investe notáveis U$ 4 bilhões na área militar. No próximo ano, receberá 24 caças Sukhoi Su-30 que adquiriu da Rússia. “São aeronaves muito mais modernas do que as nossas”, lamuriou-se Saito. O brigadeiro disse aos deputados que a FAB acalenta a expectativa de adquirir novos caças. O projeto foi mandado à gaveta, porém, ainda no primeiro mandato de Lula.
fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2007-10-14_2007-10-20.html#2007_10-17_21_57_45-10045644-0
quarta-feira, outubro 17, 2007
Votando no capitão
Jornal do Brasil, 11 de outubro de 2007
Quem quer que tenha acompanhado as minhas aulas sobre a "teoria dos quatro discursos" – e, graças à internet, é um bocado de gente, a esta altura – sabe que uma das principais dificuldades na arte da palavra é a mudança de clave do discurso poético para o retórico. Ninguém faz isso direito, porque a primeira das duas modalidades está focalizada na exteriorização de percepções íntimas, a segunda no manejo deliberado das reações do ouvinte ou leitor. Expressão é uma coisa, persuasão é outra. Nos dois casos, trata-se de criar uma verossimilhança, mas a verossimilhança poética é pura coerência entre imagens, a retórica um acordo bem dosado entre o que você quer dizer e o que o público quer ouvir. Por isso o discurso poético se dirige a um auditório geral e indefinido, abrindo-se à multiplicidade imprevisível das interpretações que lhe dêem, ao passo que o retórico se dirige a uma platéia em particular, permanecendo ineficaz sobre as demais, exceto se ouvido como mera produção poética, desligada dos fins práticos a que visava originalmente.
Daí o fenômeno, tão repetidamente comprovado, de que o artista narrador, seja no romance, no teatro ou no cinema, não tenha controle quase nenhum sobre o sentido político-ideológico da história que narra, o qual sentido não depende da narrativa em si, mas dos fatos do mundo exterior – remotos e fora do alcance do artista -- a que a platéia associe os episódios narrados, fazendo destes o símbolo daqueles.
Gênios do porte de um Stendhal ou de um Balzac não venceram essa dificuldade – por que deveríamos exigi-lo dos nossos miúdos cineastas tupiniquins? Todos eles são mais comunistas que a peste, mas isso não impediu que em "Central do Brasil" o menino perdido, fugindo do inferno urbano, encontrasse no Brasil rural os antigos valores que são a essência mesma do conservadorismo: a família, a religião, a segurança, o amor ao próximo. Nem que "Cidade de Deus" resultasse numa apologia do que pode haver de mais reacionário e pequeno-burguês: subir na vida por meio do trabalho honesto.
Agora, José Padilha é crucificado pela esquerda porque em "Tropa de Elite", pela primeira vez, o cinema nacional mostra a violência carioca pelo ponto de vista da polícia, que é o dos cidadãos comuns, e não pelo dos bandidos, que é o da classe artística, dos "formadores de opinião" e do beautiful people esquerdista em geral. Padilha não fez isso porque queria, mas porque, tendo optado por uma narrativa realista, teve de ceder à coerência interna entre os vários elementos factuais em jogo, mostrando as coisas como elas aparecem aos olhos de qualquer pessoa que esteja boa da cabeça e não tenha se intoxicado nem de cocaína nem de Michel Foucault, como o fazem aqueles três grupos de criaturas maravilhosas. O resultado é que no seu filme os traficantes são assassinos sanguinários, os policiais corruptos são policiais corruptos, os policiais bons são homens honestos à beira de um ataque de nervos, os estudantes esquerdistas metidos a salvadores do país são clientes que alimentam o narcotráfico e mantêm o país na m.... Todo mundo sabe que a vida é assim, e é por isso que instintivamente todo mundo acha que descer a mão em bandidos, por ilegal que seja, é incomparavelmente menos grave do que o imenso concurso de crimes – guerrilha urbana, homicídios, seqüestros, assaltos, contrabando, corrupção política – que o narcotráfico traz consigo. Daí que, entre as razões do policial idôneo e as da bandidagem – que são as mesmas da esquerda iluminada --, o povo já tenha feito sua escolha: Capitão Nascimento para presidente.
(fonte: http://olavodecarvalho.org/semana/071011jb.html )
Welcome to Brazil, Dirty Harry!
Guerras são necessárias. Mataram teus amigos e vizinhos e vão te matar. Pecado é não agir de forma violenta para impedir: peca-se por omissão. E nas guerras, violência é o método. Deus nos deu a ira e a força violenta para usarmos em caso de necessidade. Acontece que o usuário dessas forças é um pecador, e pode usá-las de maneira errada mesmo com reta intenção. Aí entra a "ética moderna" e crucifica-o.
No filme "Tropa de Elite", os policiais do BOPE são violentos, têm até um pouco de sadismo, mas agem com a reta intenção de acabar com o tráfico, ou pelo menos reduzi-lo ou ainda contê-lo. São pecadores como eu, você, ou o maconheiro da esquina. Os traficantes, muitas vezes, agem por sadismo. São pecadores como todos nós, mas o pecado deles destrói vidas e impede os demais de prosseguir na virtude. Devem ser impedidos, e (reitero!) só podem ser impedidos por outros pecadores.
Nos anos 70, os EUA sofreram um surto de violência "gratuita" terrível. Não vou explorar as origens disso, vá ler o Olavão. A reação veio: Charles Bronson e o "Desejo de Matar" e Dirty Harry, o policial honesto, intransigente e violento, interpretado por Clint Eastwood. Capitão Nascimento — protagonista de "Tropa de Elite" — é o nosso Dirty Harry. Seja bem vindo!
Na primeira metade do filme, Nascimento marca muito ao dizer: "Eu sempre me pergunto: quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só para um playboy rolar um baseado?". E bate, estapeia, humilha, tortura, ao mesmo tempo que chora, se condói, comemora e agradece. É a personagem mais bem construída que vi nos últimos tempos: ele é intensamente humano, plenamente pecador, mas age pelo que considera justo e correto. Não é um santo nem um demônio, não é um animal nem um "espírito evoluído": humano. Choca-se com seus atos? Ora, olhemos para a nossa vida, para a nossa vileza! Será que o que fazemos não é tão ruim quanto?
"Tropa de Elite" é um filme excelente. Queira Deus seja o início uma reação como a que houve nos EUA nas décadas de 70 e 80. Eu li em um artigo de opinião no Estadão que ele abria uma nova era no cinema brasileiro: a era da pirataria (para quem não sabe, o filme será lançado dia 12 de outubro, mas já pululam cópias por aí) cinematográfica. Que o filme possa não ter apenas esse marco.
(fonte: http://lpereira.wordpress.com/2007/09/23/welcome-to-brazil-dirty-harry/ )
segunda-feira, abril 16, 2007
Capitalismo X Socialismo X Comunismo

O Comunismo é um sistema econômico que nega a propriedade privada dos meios de produção. Num sistema comunista os meios de produção são de propriedade comum a todos os cidadãos e são controlados por seus trabalhadores. Sob tal sistema, o Estado não tem necessidade de existir e é extinto.

terça-feira, abril 10, 2007
Usina Nuclear Flutuante
O vice-primeiro-ministro russo, Serguei Ivanov, anunciou hoje o começo da construção da primeira usina nuclear flutuante do mundo, que entrará em funcionamento em 2010.
"Começamos a construir usinas nucleares flutuantes. A primeira plataforma atômica começará a fornecer energia elétrica em 2010", disse Ivanov durante reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, informou a agência "Interfax".
Essa primeira central fornecerá eletricidade aos estaleiros de Severodvinsk, porto situado às margens do Mar Branco, no norte da parte européia da Rússia.
"Existem planos de criar sete centrais desse tipo, que poderão ser utilizadas no norte da Rússia e no Extremo Oriente", acrescentou.
Ivanov ressaltou que vários países mostraram interesse em adquirir essas usinas nucleares atômicas russas.
Por sua parte, Putin ressaltou que o importante é "que a tecnologia utilizada nas centrais flutuantes seja a mais moderna".
Segundo a imprensa russa, a China é um dos países mais interessados nesse projeto e, inclusive, participa de seu financiamento.
A central flutuante, que utilizará urânio pouco enriquecido (5%), estará equipada com dois reatores, terá uma potência de 70 megawatts e gerará o mesmo volume de eletricidade que uma usina nuclear terrestre.
Além de fornecer energia elétrica a uma cidade de 250 mil habitantes, a central poderia funcionar também para dessalinizar água e prover calefação, possibilitando a economia de 200 mil toneladas de carvão e 100 mil de petróleo ao ano.
A central enriquecerá urânio em menos de 20%, não violando, portanto, os acordos da Rússia com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Com esse projeto, a Rússia pretende fornecer eletricidade a zonas remotas do norte europeu do país, à Sibéria e ao Extremo Oriente desligados da rede geral, e exportar energia nuclear a outros países.
Em 1968, os Estados Unidos puseram em andamento uma central flutuante no Canal do Panamá, mas a desmantelaram em 1976 devido ao alto custo da manutenção.
terça-feira, março 27, 2007
Biocombustíveis são fraude?
"Se quisermos salvar o planeta, precisamos adiar por cinco anos os projetos em biocombustível", defende Monbiot.
Para o jornalista, os programas de incentivo "são uma fórmula para desastres ambientais e humanitários".
"Em 2004, eu alertava que biocombustíveis estabeleceriam uma competição entre os carros e as pessoas. As pessoas inevitavelmente perderiam: aqueles que podem pagar para dirigir são mais ricos que aqueles à beira da fome", escreve Monbiot.
Para o autor, o Brasil é um exemplo que ilustra o "impacto" de se transformar recursos naturais em combustíveis.
"Produtores de cana-de-açúcar estão avançando sobre o cerrado no Brasil, e plantadores de soja estão destruindo a floresta amazônica." Agora que o presidente (americano, George W.) Bush acabou de assinar um acordo de biocombustíveis com o presidente Lula, deve piorar.
terça-feira, dezembro 12, 2006
Normal
– Normal.
"Normal" tornou-se expressão popular, empregada nos momentos em que deveria haver espanto, e o que vemos é conformação, impotência. Indicação de que a anomalia passou a ser regra. É um meio de o brasileiro conviver com o absurdo. Se alguém exclama "Que absurdo!" quando ouve um caso desses, o que se escuta é: "Normal". Exemplos?
Uma reportagem de televisão mostra o negócio de drogas na entrada da Favela do Buraco Quente, em São Paulo. Os vendedores são adolescentes. Compradores passam de carro, pegam suas trouxinhas e pagam quase sem parar. Tipo drive-thru. Consumidores a pé entram, compram a droga ali no beco mesmo, ao lado da molecada que joga bola. Um garoto de uns 13 anos, revólver em punho, fez o motorista do ônibus mudar o itinerário (é este quem conta), não passar ali pela porta, para não atrapalhar o trânsito da freguesia. Tudo filmado, a polícia sabe.
– Normal.
Presos condenados têm nas celas aparelhos de DVD, televisão e até freezer. Uma reportagem sobre o presídio de Hortolândia mostra que alguns presos têm um ganho extra como "freezeiros": alugam espaço nos seus freezers para outros prisioneiros, ou trocam favores com eles. Absurdo?
– Normal.
Gente que roubou um pacote de manteiga no supermercado ou que foi pega com um boné alheio após uma briga de rua fica mofando na cadeia, enquanto advogados recorrem a formalismos jurídicos para manter em prisão domiciliar assassinos confessos de pessoas indefesas, matadores dos próprios pais ou de namoradas, e ladrões de dinheiro público, mesmo condenados. É justo?
– Normal, cara.
Vemos cenas de hospitais populares com doentes em macas nos corredores ou mesmo deitados pelo chão, à espera de atendimento.
– Normal...
Malandros tomam conta das ruas em torno de escolas, hospitais, casas de shows, estádios, pontos de comércio, teatros, eventos, e extorquem dinheiro dos motoristas que procuram uma vaga para estacionar. Não é, como deveria ser, uma aproximação pacífica, na boa, um pedido jeitoso de uns trocados pela prestação de um favor insignificante. Nada disso. É uma imposição, uma ameaça quadrilheira, algo a que a população se submete para evitar o pior. A polícia sabe, os guardas e fiscais da prefeitura sabem, mas ninguém faz nada para proteger o cidadão. E por quê?
– É normal.
Se um pequeno craque de futebol é muito novo para ser vendido aos clubes estrangeiros, aumenta-se a sua idade com novo registro de nascimento, falsificado. E lá vai ele.
– Normal.
O bandido conta no livro Falcão que, quando a polícia invade a favela atrás do ponto de tráfico, eles correm e se escondem no barraco que quiserem. E a família moradora tem de aceitar. Se não aceitar, ou é obrigada a se mudar da favela ou é morta. É a lei. Está certo isso?
– Normal – justifica o bandido.
E normal é contrabando, pirataria, batalhas entre quadrilhas, jogar lixo pela janela do carro, estacionar em fila dupla, bingo viciado, jogos de azar, roubos de laptops nos aeroportos, pagamento de propina para não ser assaltado... Vivemos uma dolorosa e cruel normalidade.
quarta-feira, setembro 06, 2006
50% dos votos nulos não anulam a eleição
Acabou um dos mitos mais recorrentes na internet durante o atual processo eleitoral: o de que 50% ou mais dos votos nulos dados pelos eleitores anulariam o pleito sendo necessária a convocação de nova votação. É quase impossível encontrar alguém que não tenha recebido o spam da campanha que divulga essa lenda. Pois o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, diz que essa determinação não existe na lei, não está na Constituição e há até uma decisão recente da Corte (de agosto último) falando exatamente o oposto.
A explicação de Marco Aurélio Mello é cristalina e vem em boa hora. Nada contra o voto nulo, uma manifestação legítima do eleitor (basta digitar "00" na urna e clicar em "confirma"). O ruim era que pessoas estavam acreditando ter o poder de cancelar o pleito. Não têm. O voto nulo basicamente vai ajudar a eleger mais dos mesmos. Quantos menos forem os votos válidos, menos votos vai precisar um político tradicional para ficar no cargo que já ocupa.
O equívoco existia porque, de fato, a lei fala sobre novo pleito quando "a nulidade atingir a mais da metade dos votos no país". Ocorre que essa "nulidade" se refere aos votos anulados por fraude, entre outras razões, e não aos votos nulos dados pelo eleitor –algo bem diferente.
A seguir, um resumo das explicações dadas pelo ministro Marco Aurélio Mello:
1) Constituição:
menção a voto nulo aparece na descrição de como se dá a eleição para presidente da República, no artigo 77, parágrafo 2º: "Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos".
Interpretação do ministro Marco Aurélio Mello: "O texto não diz ser necessário que mais da metade do votos sejam válidos, isto é, os dados aos candidatos. Determina apenas que será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos. Assim, se 60% [do total] dos votos forem brancos ou nulos, uma hipótese remota, será eleito o candidato que obtiver pelo menos 20% mais um dos votos válidos (que, neste exemplo, foram 40%)".
2) Código Eleitoral (lei lei 4.737, de 1965):
A controvérsia sobre anulação da eleição existe por causa do artigo 224 do Código Eleitoral:"Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias".
(...)"Parágrafo 2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados".
Interpretação do ministro Marco Aurélio Mello: "Como se observa, o parágrafo 2º desse artigo fala em 'punição aos culpados'. Ora, quem vota nulo por vontade ou por erro não é culpado de nada nem pode ser punido, até porque o voto é dado de maneira secreta. Além disso, os artigos anteriores ao 224 no Código Eleitoral explicitam que quando se tratou 'nulidade' o legislador se referia a votos anulados em decorrência de atos ilícitos, como fruade em documentos, por exemplo. Não quis se tratar do voto nulo dado pelo próprio eleitor".
3) Jurisprudência mais recente.
O Tribunal Superior Eleitoral deliberou a respeito do tema em 17 de agosto último, ao julgar um caso em que se requeria a anulação de uma eleição municipal de 2004, em Ipecaetá, na Bahia, para a realização de novo pleito.No Recurso Especial Eleitoral 25.937, o Tribunal deliberou: "Não se somam (...), para fins de novas eleições, os votos nulos decorrentes de manifestação apolítica do eleitor, no momento do escrutínio, seja ela deliberada ou decorrente de erro".
Ou seja, para calcular se houve mais de 50% de votos nulos (por fraude) em uma eleição não devem ser considerados os votos nulos dado pelo próprio eleitor.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Prisão-acampamento


Motivo:- Ele criou a "cadeia-acampamento", que são várias tendas de lona, cercadas por arame farpado e vigiado por guardas como numa prisão normal.
- Baixou os custos da refeição para 40 centavos de dólar que os detentos, inclusive, tem de pagar.
- Proibiu fumar, não permite a circulação de revistas pornográficas dentro da prisão e nem permite que os detentos pratiquem halterofilismo.
- Começou a montar equipes de detentos que, acorrentados uns aos outros, (chain gangs), são levados à cidade para prestarem serviços para a comunidade e trabalhar nos projetos do condado.
- Para não ser processado por discriminação racial, começou a montar equipes de detentas também, nos mesmos moldes das equipes de detentos.
- Cortou a TV a cabo dos detentos, mas quando soube que TV a cabo nas prisões era uma determinação judicial, religou, mas só entra o canal do Tempo e da Disney.
Quando perguntado por que o canal do tempo, respondeu que era para os detentos saberem que temperatura vão enfrentar durante o dia quando estiverem prestando serviço na comunidade, trabalhando nas estradas, construções, etc.Em 1994, cortou o café, alegando que além do baixo valor nutritivo, estava protegendo os próprios detentos e os guardas que já haviam sido atacados com café quente por outros detentos, sem falar na economia aos cofres públicos de quase US$ 100,000.00/ano.
Quando os detentos reclamaram, ele respondeu:
- Isto aqui não é hotel 5 estrelas e se vocês não gostam, comportem-se como homens e não voltem mais.
Distribuiu uma série de vídeos religiosos aos prisioneiros e não permite quaisquer outros tipos de vídeo na prisão. Perguntado se não teria alguns vídeos com o programa do partido democrata para distribuir aos detentos, respondeu que nem se tivesse, pois provavelmente essa era a causa da maioria dos presos ali estarem.
Com a temperatura batendo recordes a cada semana, uma agencia de noticias publicou:
- Com a temperatura atingindo 116 F, (47 C), em Phoenix no Arizona, mais de 2000 detentos na prisão acampamento de Maricopa tiveram permissão de tirar o uniforme da prisão e ficar só de shorts, (cor de rosa), que os detentos recebem do governo.
Na última quarta feira, centenas de detentos estavam recolhidos às barracas, aonde a temperatura chegou a atingir a marca de 138°F, (60°C). Muitos com toalhas cor de rosa enroladas no pescoço estavam completamente encharcados de suor. Parece que a gente está dentro de um forno, disse James Zanzot que cumpriu pena nessas tendas por um ano.
Joe Arpaio, o xerife durão que inventou a prisão-acampamento, faz com que os detentos usem uniformes cor-de-rosa e não faz questão alguma de parecer simpático.Diz ele aos detentos:
- Nossos soldados estão no Iraque onde a temperatura atinge 120°F (50°C), vivem em tendas iguais a vocês, e ainda tem de usar fardamento, botinas, carregar todo o equipamento de soldado e, além de tudo, não cometeram crime algum como vocês, portanto calem a boca e parem de reclamar".
Se houvessem mais prisões como essa, talvez o número de criminosos e reincidentes diminuísse consideravelmente.
Criminosos têm de ser punidos pelos crimes que cometeram e não serem tratados a pão-de-ló, tendo do bom e melhor, até serem soltos pra voltar a cometer os mesmos crimes e voltar para a vida na prisão, cheia de regalias e reivindicações.
Muitos cidadãos honestos, cumpridores da lei, e pagadores de impostos não tem, por vezes, as mesmas regalias que esses bandidos tem na prisão.
Texto da CNN sobre o assunto: http://www.cnn.com/US/9907/27/tough.sheriff/
sexta-feira, julho 21, 2006
Fato consumado
Uma revolução não consiste em "tomar o poder". A tomada do poder é apenas um elo numa cadeia de transformações que começa muito antes e termina muito depois dela. Uma revolução é um processo complexo, que se estende por décadas e se desenrola com ritmos desiguais, entre fluxos e refluxos, às vezes simulando ter cessado por completo, às vezes precipitando-se em crises espasmódicas que parecem o fim do mundo. Durante muito tempo, a unidade do processo só é visível aos que o planejaram e a uns poucos observadores qualificados. O restante da população se deixa confundir pela variedade polimorfa dos acontecimentos, sem atinar com a lógica por trás da confusão aparente.
Uma das linhas de força essenciais que compõem uma revolução é a lenta e gradativa substituição da ordem legal por um novo critério legitimador, injetado sutilmente, de início, mas depois impondo-se de maneira cada vez mais descarada, até que o apelo à antiga norma se torne reconhecidamente impotente, reduzindo-se a objeto de chacota.
O MST poderia, sem dificuldade, ter-se registrado como ONG e solicitado legalmente a ajuda financeira do Estado. Se não o fez, não foi tanto para escapar à responsabilidade civil e penal, mas por um cálculo estratégico muito preciso: mais importante até do que instituir a violência e o terror como meios válidos de acesso à propriedade da terra era subjugar e usar o próprio Estado como instrumento legitimador do processo. Desde o momento em que o governo federal aceitou financiar com dinheiro dos impostos os crimes praticados por uma entidade legalmente inexistente, inimputável portanto, a antiga estrutura jurídica do Estado cessou de existir. Discreta e impercebida, mas nem por isso menos possante, a nova hierarquia legal que então passou a vigorar baseia-se na imposição tácita da ideologia revolucionária como fonte de todos os direitos e obrigações, revogadas as disposições em contrário. Essa inversão radical do critério de legitimidade é muito mais decisiva do que a subseqüente tomada do poder, que não faz senão dar expressão visível ao fato consumado.
Não há portanto nada de estranho em que um órgão tão representativo do pensamento das elites nacionais como a Escola Superior de Guerra se disponha a ouvir com humildade e respeito as lições do sr. João Pedro Stedile. O chefe do MST é algo mais do que mera autoridade: como primeiro cidadão oficialmente liberado pelo Estado para passar por acima das leis e remoldá-las à sua imagem e semelhança, ele é a célula-mãe, o símbolo gerador, o modelo vivo da nova ordem. A ESG tem mesmo é de bater-lhe continência e, se possível, beijar-lhe os pés, se conseguir erguer-se para alcançá-los.
Em contraste com esse auto-aviltamento masoquista, o brigadeiro Ivan Frota, ao tomar posse na presidência do Clube da Aeronáutica, advertia dias atrás contra "grupos paramilitares extremados, travestidos de 'movimentos sociais', desencadeando uma orquestrada programação de vandalismo indiscriminado, ante a inação e até o velado apoio de autoridades governamentais do mais alto escalão". É sinal auspicioso de que nem todos, nas Forças Armadas, estão contentinhos de viver no "mundo às avessas".
Mas, no mundo civil, proliferam os sinais de adaptação feliz à ordem invertida. O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal, por exemplo, induzido pelo governo a soltar os 32 baderneiros do MLST, baixou sentença alegando que a culpa pela depredação da Câmara não foi deles, e sim da própria Câmara, que, advertida da chegada dos militantes, não se preveniu contra o ataque.
Pela lógica do magistrado, se eu publicar aqui um aviso de que vou lhe fazer uma visita e ele não contratar de imediato um segurança para proteger sua cabeça oca, estarei no direito de rachá-la a pauladas com plenas garantias de que semelhante truculência não me será imputada judicialmente. A sorte de S. Excia. é que não há nada na sua caixa craniana que valha o esforço de quebrá-la.
quinta-feira, julho 20, 2006
O Simbolismo de 2 Primeiras Famílias!
Comentário da cientista política Lucia Hippolito na Rádio CBN em 25/12/2005
A primeira família, seja na realeza ou na República, é sempre simbólica. Ela é uma transmissora de valores, de adesão às marcas nacionais. Seus atos apontam caminhos, soluções e possibilidades. O exemplo que ela dá revela seu compromisso com o país e seu futuro.
Tudo isso me vem à lembrança quando leio nos jornais que no Brasil a esposa do presidente da República solicitou e conseguiu de um governo estrangeiro cidadania para ela, seus filhos e seus netos.
A mulher do presidente Lula, seus filhos e netos são hoje também cidadãos italianos.
O que será que isto quer dizer?
Como é que esta atitude será interpretada pela maioria dos brasileiros, que não querem fugir do país e que tentam, todo santo dia, fazer do Brasil um país melhor?
Como o Brasil espera inspirar confiança nos investidores estrangeiros, quando a família do presidente da República já conseguiu para si mesma uma rota de fuga do país?
Em tempo:
Vale recordar que Dona Marisa Letícia (assim mesmo, agora ela o usa os dois nomes, "para ficar mais formal") andou se justificando com asnina sinceridade: segundo ela, o pedido de cidadania italiana foi para "garantir aos filhos um futuro mais seguro".
Ela deve saber qual futuro seu marido está construindo...
segunda-feira, julho 03, 2006
Dormindo profundamente
Alguns leitores reclamam que descrevo o problema mas não indico solução. Sabem por que faço isso? É que as únicas soluções possíveis são tão difíceis e remotas que só de pensar nelas a visão do problema se torna ainda mais insuportável. Cada vez que volto ao assunto ecoa na minha memória o verso de Manuel Bandeira, o mais triste da literatura universal, que resume a história do Brasil nas últimas décadas: “A vida inteira que poderia ter sido e que não foi.”
Em 2002, numa reunião internacional (v. http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4960), os estrategistas da revolução latino-americana já haviam chegado à conclusão de que nenhuma força de direita tinha condições de erguer-se para enfrentá-los. Desde então o poder da esquerda veio crescendo formidavelmente, especialmente no Brasil, e seus eventuais adversários não fizeram senão ceder terreno, acomodar seu discurso ao do inimigo, abdicar de toda identidade ideológica e gastar energias preciosas em alianças debilitantes, em campanhas de bom-mocismo sem teor ideológico e em esforços eleitorais perfeitamente fúteis.
É claro que antevejo soluções. Mas tenho a quase certeza de que ninguém vai colocá-las em prática. Todos os que poderiam fazê-lo estão demasiado fracos, demasiado sonsos para poder reagir. Oito, dez anos atrás andei sugerindo soluções. Falei a empresários, políticos, religiosos, intelectuais, militares. Em geral não consegui persuadi-los nem mesmo de que havia um problema – o mesmo problema sob cujo peso agora estão gemendo. Todos, sem exceção, avaliavam a situação baseados somente no que liam na mídia, prescindindo solenemente de qualquer conhecimento das fontes diretas, da bibliografia especializada ou mesmo dos clássicos do marxismo. E julgavam com uma segurança, com uma pose! Uns confiavam nos seus galões, outros no seu saldo bancário, outros nos seus diplominhas da USP como se fossem garantias de infalibilidade, incomparavelmente superiores a décadas de estudo e montanhas de documentos. Uns diziam que eu estava açoitando cavalos mortos, outros estavam tão despreocupados que tinham tempo para criticar detalhes de estilo que os incomodavam nos meus artigos, outros, ainda, davam-me conselhos jornalísticos, recomendando-me temas mais agradáveis para conquistar os coraçõezinhos das leitoras em vez de assustá-las com advertências apocalípticas. Assim o tempo passou. Acabei-me recolhendo à minha insignificância, e hoje me dedico à função que me resta: analisar o mais objetivamente possível a agonia do Brasil, para uso dos futuros historiadores. Larguei a prática da medicina de urgência para dedicar-me ao estudo das patologias terminais. É um assunto inesgotável e, para quem observa o moribundo de longe, interessantíssimo. Se eu estivesse no Brasil, morreria de depressão. À distância em que estou, a melancolia do declínio se torna quase uma experiência estética.
Vou lhes dar só um exemplo de como a esquerda está adiantada na conquista de seus objetivos e a direita, ou o que resta dela, ainda nem começou a se dar conta do estado de coisas.
No fim dos anos 70, o presidente Jimmy Carter, fiel às diretrizes do CFR, decretou que a melhor maneira de combater o avanço do comunismo na América Latina era apoiar a “esquerda moderada”. Quem conhece a figura sabe precisamente o que ele queria dizer com isso: tratava-se de fomentar o comunismo alegando combatê-lo. Os brasileiros estão (até hoje) tão por fora do que acontece nos EUA, que a simples hipótese de um presidente americano pró-comunista ainda lhes parece absurda e fantasiosa. Falta-lhes o conhecimento de pelo menos setenta anos de história. Ainda nem se tocaram de que o braço-direito de Franklin D. Roosevelt em Yalta era um espião soviético, de que na gestão Truman o Departamento de Estado foi entregue a um advogado chiquíssimo cujo escritório representava oficialmente o governo da URSS nos EUA, de que todas as acusações de espionagem nos altos círculos lançadas pelo senador Joe McCarthy acabaram sendo confirmadas (com uma única exceção) e de que, enfim, o lugar mais seguro para os comunistas, depois da redação do New York Times, é o governo americano. É horrível conversar com pessoas que, precisamente por não saber nada, acreditam saber tudo. Principalmente quando elas têm dinheiro bastante para pagar consultores que as conservam na ilusão.
Graças à ação conjugada da ignorância e dos consultores, até hoje o empresariado brasileiro acredita piamente na lenda esquerdista de que os americanos deram o golpe de 64 e não sabem que a verdade é precisamente o contrário, que o governo de Washington não ajudou em nada a criar o regime militar mas sim foi o principal responsável pela sua destruição. “Fortalecer a esquerda moderada” significava, desde logo, eliminar a direita, radical ou moderada, como alternativa válida ao esquerdismo. A morte da direita nacional foi decretada por Jimmy Carter, pelo CFR e pelas fundações Ford e Rockefeller (peço que consultem os meus artigos http://www.olavodecarvalho.org/semana/060611zh.html e http://www.olavodecarvalho.org/semana/060605dc.html para esclarecimentos de ordem teórica). O programa foi cumprido à risca, com sucesso total. Como a política de Washington para com a América Latina não mudou substancialmente desde então (exceto parcialmente e por breve tempo na gestão Reagan), e como a atuação das fundações bilionárias em prol da esquerda continental se intensificou enormemente nas últimas décadas, a direita brasileira não só perdeu qualquer apoio americano residual mas ainda nem sequer se deu conta do tamanho dos inimigos que a cercam e estrangulam hoje em dia.
A esquerda encobriu tão bem essas informações elementares, essenciais para a compreensão do que se passa no Brasil, que até agora elas são radicalmente ignoradas por quem mais precisaria delas. Refiro-me especialmente ao empresariado. Os militares, por sua vez, não desconhecem os fatos, mas, bem trabalhados por agentes de desinformação, interpretam tudo às avessas: enxergam os Carters e os Clintons como agentes do “imperialismo americano” (e não do globalismo anti-americano) e acabam sendo levados pela tentação de se aliar à esquerda para se vingar das humilhações sofridas pelas forças armadas nas últimas décadas. Os aplausos dos homens de farda à recem-constituída “Comissão de Defesa das Forças Armadas” – mais um ardil da esquerda inventado para integrar as nossas tropas na revolução chavista – mostra que o horizonte de consciência dos nossos militares, pelo menos os de comando, é tão estreito quanto o do empresariado.
Entre a esquerda e a direita, no Brasil, não há só uma monstruosa desproporção de forças: há um desnível de consciência imensurável. De um lado, informação abundante e integrada, intercâmbio constante, flexibilidade estratégica, conhecimento e domínio dos meios de ação. Do outro, fragmentos soltos mal compreendidos, amadorismo bem pago, opiniões arbitrárias e bobas voando para todo lado, desperdício das últimas energias em esperanças eleitorais insensatas e projetos “anti-corrupção” ideologicamente inócuos, facilmente absorvidos e instrumentalizados pela própria esquerda. Os esquerdistas absorveram profundamente o preceito de Sun-Tzu: conhecer o inimigo melhor do que ele conhece você. A esta altura, o general chinês, se consultado por algum direitista brasileiro interessado em “soluções”, responderia: “Não converso com defuntos.” Por que eu deveria ser menos realista que Sun-Tzu?
A direita não está somente esmagada politicamente sob as patas da esquerda. Está dominada psicologicamente por ela, ao ponto de repelir com ojeriza a simples hipótese de fazer algo de efetivo contra a adversária. Exemplo? Façam a lista de todas as ONGs, departamentos do governo, cátedras universitárias, empresas de produções artísticas e órgãos de mídia empenhados, há trinta anos, em investigar, divulgar e ampliar até dimensões extraplanetárias os crimes reais e imaginários da “direita”. A quantidade de dinheiro e mão-de-obra envolvida nisso é incalculável. Agora experimentem ir falar com algum empresário soi disant liberal ou conservador, e sugiram ao desgraçado fundar uma ONG, mesmo pequenininha, para informar o público sobre torturas e assassinatos de prisioneiros políticos em Cuba, sobre os feitos macabros das Farc e do MIR, sobre as conexões entre esquerdismo e narcotráfico. A resposta é infalível: ou o sujeito rotula você de extremista, de louco, de fanático, ou desconversa dizendo que não se deve tocar em assuntos indigestos, que é mais bonito circunscrever-nos a assuntos inofensivos de economia e administração. Se um dos lados tem o monopólio do direito de fazer a caveira do outro, e o outro ainda reconhece esse monopólio como legítimo e inquestionável, a briga já está decidida. A própria direita concede à esquerda o direito de matar, torturar, ludibriar, e ainda posar de detentora exclusiva das mais altas qualidades morais. Depois disso, que alternativa resta aos partidos direitistas, senão tornar-se subseções dos de esquerda? Vejam o PFL. Esse partido, que um dia chegou a ter alguma perspectiva de futuro, se autodestruiu mediante sucessivas alianças com a “esquerda moderada” tucana. Em vez de afirmar sua independência, de reforçar sua ideologia, de criar e expandir a militância, preferiu dissolver-se em troca de carguinhos que só lhe davam o poder de fazer o que o sócio mandasse. A experiência de mais de uma década não lhe ensinou nada. Continua ingerindo doses cada vez maiores do remédio suicida.
Querem soluções? Elas existem, mas os homens influentes deste país, tão logo acabem de ler a lista, já vão querer atenuá-las, adaptá-las ao nível de covardia e preguiça requerido para ser direitistas “do bem” ou então diluí-las em objeções sem fim até que se transformem nos seus contrários, mui dialeticamente.
Se querem saber, essas soluções são as seguintes:
1. Aceitar a luta ideológica com toda a extensão das suas conseqüências. Não fazer campanhas genéricas “contra a corrupção”, salvando a cara do comunismo, mas mostrar que a corrupção vem diretamente da estratégia comunista continental voltada à demolição das instituições.
2. Criar uma rede de entidades para divulgar os crimes do comunismo e mostrar ao público o total comprometimento da esquerda atual com aqueles que os praticaram. A simples comparação quantitiva fará o general Pinochet parecer Madre Teresa.
3. Criar uma rede de ONGs tipo media watch para denunciar e criminalizar a desinformação esquerdista na mídia nacional, a supressão proposital de notícias, a propaganda camuflada em jornalismo.
4. Desmantelar o monopólio esquerdista do movimento editorial, colocando à disposição do público milhares de livros anticomunistas e conservadores que lhe têm sido sonegados há quatro décadas.
5. Formar uma geração de intelectuais liberais e conservadores habilitados a desmascarar impiedosamente os trapaceiros e usurpadores esquerdistas que dominaram a educação superior e os órgãos de cultura em geral.
6. Formar e adestrar militância para manifestações de rua.
7. Durante pelo menos dez anos enfatizar antes o fortalecimento interno do movimento do que a conquista de cargos eleitorais.
8. Criar um vasto sistema de informações sobre a estratégia continental esquerdista e suas conexões com os centros do poder globalista, de modo a esclarecer o empresariado, os intelectuais e as Forças Armadas.
Essas são as soluções. Tudo o mais é desconversa. Ou os brasileiros fazem o que tem de ser feito, ou, por favor, que parem de choradeira. Que aprendam a morrer com decência. Se o Brasil cessar de existir, ninguém no mundo vai sentir falta dele. E se todos os brasileiros não inscritos no PT, no PSOL, na CUT e similares entrarem na próxima lista de falecidos do Livro Negro do Comunismo, talvez só eu mesmo ache isso um pouco ruim. Em todo caso, o fim do Brasil não vai abalar as estruturas do cosmos. Os esforços da direita nacional para a conquista da perfeita inocuidade estão perto de alcançar o sucesso definitivo. Quem em vida se esforçou para não fazer diferença, não há de fazer muita depois de morto.
Se escrevo essas coisas no jornal da Associação Comercial, faço-o com dupla razão, porque vejo o esforço dessa entidade para fazer alguma coisa com bravura num país onde todo mundo está procurando um lugarzinho para se esconder em baixo da cama e até a mulher do presidente já tratou de se garantir com um passaporte italiano. Assisto aos vídeos daqueles combatentes reunidos no seminário “Liberdade, Democracia e o Império das Leis”, e me pergunto: Cadê o resto do país? Cadê os donos da mídia, que lambem os sapatos dos comunistas aos quais entregaram suas redações? Cadê os banqueiros, que têm um orgasmo a cada novo aumento dos impostos e sabem que lucram com a destruição da liberdade, da segurança, das leis? Imaginam por acaso que trogloditas capazes de depredar o Congresso vão, miraculosamente, respeitar amanhã as sedes dos bancos privados? Cadê os homens da indústria, que estão de quatro, sem fôlego, e ainda insistem em bajular seus algozes? Cadê a Igreja Católica – ou a entidade que ainda leva esse nome --, autotransfigurada em órgão auxiliar do Foro de São Paulo? Cadê a tal “classe dominante”, cuja única ocupação nas últimas décadas é deixar-se dominar? Cadê os militares, cujo mais alto sonho de glória parece ser a aposentadoria sob as asas do Estado previdenciário socialista? Pergunto isso ao vento, e a resposta vem em outro verso de Manuel Bandeira:
E agora, pátria do futebol?
Tenho testemunhas do que disse a algum tempo: torço para a seleção brasileira, mas seria bom que perdêssemos. Calma, sou brasileiro e nacionalista ao extremo. Sou como aquela mulher apaixonada: não admito que falem mal de meu marido, mas eu posso falar, pois eu o amo e quero o melhor para ele...
Na semana antes do inicio da copa, estava lá, sentado sobre o asfalto a desenhar sobre a rua, algumas coisas para alegrar as pessoas e poder, se fosse possível, comemorar o hexacampeonato, mas percebi uma coisa: a garotada que estava alí, junto a mim a ajudar a pintar o chão negro, via naquilo, na seleção, as esperanças de suas vidas. Sim, é verdade: a esperança de suas vidas! Fiz algumas perguntas e alguns deles mal sabia quem era nosso presidente, quanto é três vezes nove, quem era Machado de Assis ou Monteiro Lobato, se sabiam quem era o nosso militar que foi à lua, enfim, quem era o Brasil... E eles não sabia,m mas sabem quem são os Ronaldos, o Robinho, o Roberto Carlos, o Dida, o que era o Corinthians, o São Paulo, Santos e a fraca Portuguesa...
Fiquei decepcionado, pois isso mostra em que mãos estamos nós, os futuros velhos desse pais: nas mãos de quem? De frustrados pretensos jogadores de futebol quê, sem o futebol, não têm perspectivas nenhuma de vida e podem cair nos caminhos tortuosos das facilidades oferecidas pelo crime! Duvidam? Eu não, pois ví e vejo isso claramente em nossas ruas: jovens a zanzar por ruas e praças sem eira e nem beira à procura de um futuro. Minto, de algo que possa fazer com que possa sobreviver hoje, pois o amanhã, nem sabem se ainda estarão por aqui, pois o crime lhes rondam e fazem companhia diuturnamente.
Ouvi que um dos jogadores da França disse que o Brasil sabe jogar futebol porque os brasileiros não estudam, só jogam futebol. Isso é a verdade? Parece que sim.
Infelizmente.
Vi esses dias um edital de concurso para professores para a cidade de Porto Velho (RO) e vi que os salários eram de pouco mais de R$ 300,00... E nossos jogadores devem ganhar milhões de reais, por semana, ou até em menos tempo... Vocês sabem quanto ganha um soldado do exército, um funcionário público compulsório? Menos de R$ 300,00... Um médico do SUS? Um dentista? Um coronel, um advogado, um fisioterapeuta? Acho que devem saber como é difícil e caro fazer seus filhos estudarem e terem uma dessas profissões
Mas sabem quanto ganha um político e de como podem gastar tanto para lá estarem e depois receberem o que acham pouco? Acho que não, não é mesmo? E ganha o Galvão Bueno que faz as suas médias e passou a vida ganhando sobre o tema futebol? E mais os outros, que se empuleram nos microfones de nossas televisões e rádios a transmitirem besteiras que desvirtuam nosso povo? E nossos próprios jogadores que, não tirando os méritos deles, só estão onde estão, porque deram sorte na vida pois muito deles saíram de favelas e de vidas quase que perdidas, pois não tiveram outro caminho de vida a não ser o futebol e graças a Deus, deram certo, pois muitos outros, milhares de milhões, caíram pelo caminho... Caíra, caem e cairão, pois estão soltos à própria sorte, pois nada lhes dão as oportunidades da vida. Nada e ninguém. Nada, ninguém e nem o governo. Nada, ninguém, nem o governo e nem um plano estrutural para o desenvolvimento sócio, cultural, intelectual e profissional dos brasileiros.
Os que deram sorte, foi às custas de suas próprias sorte.
Sorte e perseverança, mas nada os fez colaborar em seus caminhos, pois o governo é corrupto, larápio e depois, quando os vencedores aparecem, viram exemplos de cidadania, mas o governo não lhe deu, em nenhum momento, modelos de cidadania a seguirem...
Doutores de diversas áreas mal tem recursos para desenvolverem suas pesquisas e de transmitirem seus conhecimentos, de serem professores a seus concidadãos; bandidos com mais destaques na mídia do que o nosso astronauta; professores ganhando menos do um mero vendedor de cd´s piratas na Santa Ifigênia; cabeças se perdendo para o exterior, pois lá podem ganham o sustento de suas famílias; bolsa salário, bolsa família, bolsa gás de cozinha, cotas para negros e índios... Que país de contrastes é esse, onde tem áreas que nem energia elétrica tem e em outras, vislumbram altas tecnologias. País onde muitos são desdentados enquanto outros vivem de camarão e champanhe...
Não, não precisamos de uma revolução, mas revolucionar o que precisamos e queremos menos distancias entre nossas distancias!
Queremos uma revolução moral, social, digna, clara, límpida e honesta, mas só feita por homens assim, que não tenham a honestidade como currículo, mas sim, encravada em suas peles, em sua essência, já nascida juntamente com o seu sangue, pois honestidade, moral e honra, não se mede, ou tem ou não se tem. Isso não é coisa de constar em seus predicados, mas em sua essência.
Precisamos de homens no poder que possam reconhecer o poder: o povo! O povo que tem o poder de fazer nossa pátria não só o pais do futebol, da maior parada gay do mundo, do carnaval, do esculacho na política, dos desleixos em nossas instituições e recursos, nos desprezo por nossos brasileiros menos favorecidos em educação, saúde, assistência social e seguridade social. Vejam nossos aposentados, que sofrem nas filas por um atendimento ou melhoria em seus benefícios ou correções dos mesmos
Vamos mudar isso, Brasis! Vamos mudar e ser um único Brasil!
Não devemos viver de bola, bundas rebolando, escárnios políticos, desavenças entre os poderes da república...
Vamos ser um país para os brasileiros e tomar conta de nossa terra, de nossos recursos, de nossas riquezas, de nossa gente, e ter sim, o futebol, o carnaval, os nossos sonhos e alegrias, mas antes, crescer, ser grande para eles todos.
Na Argentina, país com menos de oitenta milhões e menos terras bonitas que a nossa, recebe mais de 40% de turistas do que o Brasil. Lá, nos chamam de “macaquitos”... Temos menos dinheiro do que muitos país, só crescemos mais do que o Haiti em toda a América Latina e ainda assim, perdoamos dividas de muitos países que nos devem e muitos outros, vivem a nos enforcar com as cobranças de nossas dívidas.
Como pode um devedor perdoar dividas?
Devemos explorar nossas potencialidades energéticas, agrícolas e tecnológicas e dar empregos anossos jovens.
Brasis! Cresçam, unam-se e vamos lutar contra os brasis que nos fazem engolir e sermos o nosso Brasil que tão sofridamente almejamos, senão, a cada instante surgirão novos brasis e cada vez mais perdemos o nosso Brasil com essas diferenças e só apostando no futebol, no samba, nas festas e desprezando o conhecimento, a educação, as nossas instituições e deixando para nossos filhos e netos um caldeirão em ebulição e não um caminho seguro e certo a ser seguido.
Acorda, Brasil!
E agora, com nossa derrota na copa do mundo, o que vai se nosso país, o pais do futebol? Vocês devem sabe o que acho disso.
Teve um jogador da França que disse que o brasileiro sabe jogar futebol porque não vai à escola... Saibam, sou brasileiro, nacionalista, mas essa derrota deveria ser o marco para mudanças.
Nada de sermos o país do futebol, o país da maior festa gay do mundo, o país do samba, o país do carnaval, do sexo, da ladroagem e do jeitinho...
Só queria um Brasil p/ nós todos. Foi ruim, mas espero que seja bom...
terça-feira, maio 30, 2006
O trambique desce redondo
domingo, março 19, 2006
As esquerdas e o ódio aos eucaliptos
Duas mil mulheres de um movimento ligado ao MST, o tal de Via Campesina, comemoraram o Dia Internacional da Mulher destruindo um laboratório e um viveiro de mudas de eucaliptos da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS). Vinte anos de pesquisa e alguns milhões de dólares foram jogados ao lixo. Último resquício aguerrido de um marxismo que já é cadáver em países desenvolvidos, o MST desde há muito tenta empurrar o País rumo às trevas dos regimes comunistas. As viúvas do comunismo alegam que o eucalipto estaria transformando o campo em um deserto verde. O oxímoro é típico de europeu, que não conhece a geografia do Sul. A pampa gaúcha, uruguaia e argentina sempre foi um deserto verde e jamais ocorreu a celerado algum destruir a pampa. Felizes os povos que desfrutam de desertos verdes.
Não por acaso, assessoravam as invasoras representantes da Noruega, Canadá e Indonésia, mais um representante do País Basco, que atende pelo basquíssimo nome de Paul Nicholson. Em Porto Alegre, planejaram a depredação hospedados no hotel Sheraton, sob as barbas do governo gaúcho, ora ocupado interinamente por um arrivista oriundo do PT, que nada fez nem nada fará para punir os apparatchicks estrangeiros. Mas que têm a ver estes senhores das antípodas com pesquisas sobre eucaliptos no Rio Grande do Sul?
Antes da resposta, ouçamos o deputado marxista Roberto Freire, para quem o MST pode ser tudo, menos comunista. "O comunismo é filho do iluminismo, uma corrente de pensamento que acredita no progresso da ciência como forma de minorar os males da humanidade. Destruir lavouras experimentais e laboratórios científicos nada mais é do que obscurantismo."
O deputado mente descaradamente. O marxismo sempre foi inimigo da ciência e do progresso da ciência. Roberto Freire não nasceu ontem e sabe muito bem quem foi Trofime Denisovitch Lyssenko, o agrônomo que pretendeu submeter os genes ao pensamento dialético de Marx. Através de experiências truncadas com pinheiros e rutabagas, proclamou que a aparição de caracteres novos transmitidos pelo organismo à sua descendência depende do meio, isto é, que os caracteres específicos adquiridos podem ser deliberadamente transmitidos. Sua ascensão foi imediata e ele se tornou presidente da Academia de Ciências Agronômicas. A ciência se divide então entre ciência burguesa e proletária. Finalmente a genética fora liberada do império da política reacionária. Os "mencheviques idealistas" que não aprovavam os resultados foram excluídos da Academia, transferidos e mesmo deportados para a Sibéria. A menos que reconhecessem publicamente seus erros. Stalin reconheceu o embuste como verdade de Estado e os comunistas de todos os países do mundo adotaram os absurdos de Lyssenko como artigos de fé. Pena que os gens não estavam de acordo com a doutrina de Lyssenko. A agricultura soviética nos anos 40 foi pras cucuias.
Filho do iluminismo terá sido também o marxismo de Mao Tse Tung, que promoveu nos anos 60 a "grande caçada aos pardais". Segundo o Grande Timoneiro, o pardal seria o vilão das deficiências da agricultura chinesa. A brilhante mente científica de Mao ordenou a milhões de chineses que perseguissem os pardais batendo latas e tambores, para que não repousassem um segundo, o que os levou à morte por exaustão. Com o pássaro quase extinto, os insetos aproveitaram o campo livre e destruíram a lavoura. A fome se abateu sobre a China provocando a morte de milhões de chineses.
Que não venham velhos comunistas falar de filiações iluministas. O marxismo, como toda religião dogmática, sempre foi hostil à ciência. Prova disto são as constantes invasões e depredações de laboratórios e culturas transgênicas promovidas pelo MST. Métodos científicos sempre facilitarão a agricultura, exatamente o que os comunistas não querem, para não perder a bandeira.
Volto aos eucaliptos. Entre as espécies utilizadas para a produção de celulose, o eucalipto é hoje a mais rentável. Seu ciclo de crescimento é de sete anos, em contraposição às coníferas do litoral americano, que levam quase um século para amadurecer. O choupo, outra matéria-prima da celulose americana e canadense, só atinge sua altura plena após 15 anos. Se as florestas dos Estados Unidos rendem entre dois e três metros cúbicos madeira por ano, as cultivadas pela Aracruz rendem, no mesmo período, 45 metros cúbicos. Ou seja, a indústria da celulose a partir do eucalipto é extremamente competitiva.
Em outubro do ano passado, cerca de 300 índios tupiniquins e guaranis, reivindicando terras indígenas, ocuparam três fábricas da Aracruz Celulose S/A, em Aracruz, ES. Para dar apoio a justa causa índigena, um ônibus com estudantes saiu da Universidade Federal do Espírito Santo, entre eles – atenção! – dez noruegueses. Sobre a depredação do centro de pesquisas gaúcho, disse o "basco" Paul Nicholson: "As mulheres da Via Campesina se mobilizaram em Porto Alegre contra o modelo de agricultura neoliberal e da monocultura".
Vamos a alguns fatos. Segundo a FAO, a produção mundial de celulose atingiu 162 milhões de toneladas em 1999. Estados Unidos e o Canadá responderam com 52% do total produzido. A Noruega hoje exporta cerca de 90% de sua produção de celulose e papel. A Indonésia, principal exportador de celulose de fibra curta da Ásia, tem 70% de seu território coberto por florestas, num total de 143,9 milhões de hectares. Não me parece necessário ter a intuição de um Sherlock para perceber porque um "basco" chamado Paul Nicholson, mais representantes do Canadá, Noruega e Indonésia, coordenam a depredação do laboratório gaúcho. Desde há muito instituições católicas européias – Misereor e Caritas, entre outras – vêm financiando o MST para destruir a estrutura agrária do País. Agora são os cartéis do papel que injetam recursos na guerrilha católico-marxista brasileira para destruir uma indústria que representa cerca de 5% de nosso PIB e dá emprego a 2 milhões de pessoas.
Segundo Aurélio Mendes Aguiar, pesquisador da Aracruz, foram destruídos no ataque dezesseis clones de alta produtividade, duas mil mudas de pesquisa que seriam testadas nos próximos quinze dias, cerca de 50 matrizes (as plantas de melhor qualidade genética, selecionadas para cruzamentos), além de um milhão de mudas comerciais. O banco de germoplasma do laboratório, biblioteca biológica onde são preservadas as sementes para uso em melhoramento, também foi destruído. "Se fôssemos realizar todos os cruzamentos de novo, levaria no mínimo cinco ou seis anos. Alguns nunca mais serão possíveis, porque as matrizes não existem mais", diz Aguiar.
Antônio Hohlfeldt, governador em exercício do Rio Grande do Sul, qualificou o ato de "provocação e bandidagem". E nisto ficamos. O pusilânime governador xinga os bandoleiros, aliás financiados por seu próprio governo e pelo governo federal, e dá por cumprido seu dever. Por este atentado contra a pesquisa científica ninguém será punido. Palavra de velho petista.
Os depredadores da Aracruz foram coerentes com a boa doutrina marxista. Abaixo a ciência! Longa vida – e muitas verbas estatais – ao obscurantismo!
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Pirate Party
O Partido Pirata vai combater diretamente qualquer tentativa ou idéia que ameace o livre fluxo de informação, e se recusará a permitir o "absurdo da retenção de dados" baseada na desculpa de prevenção ao terrorismo ou para atender aos modelos de negócios da Riaa, a indústria fonográfica norte-americana.
O partido, por enquanto, está empenhado em quebrar a barreira dos 4% de votos, equivalente a 225 mil, para conseguir pelo menos uma cadeira no parlamento nas próximas eleições. Para quem entende sueco, a página do partido pode ser vista no endereço www.piratpartiet.se
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Comandante do Exército reclama do governo no Senado
O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, reclamou hoje que militares não estão conseguindo fazer as três refeições por dia. Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, ele disse que 52% dos canhões da força são da Segunda Guerra, os fuzis têm 40 anos, os blindados Urutus foram comprados em 1971 e as fardas das tropas estão incompletas. "O homem tem direito de tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo", disse Albuquerque, ao comentar as poucas verbas para alimentação dos militares.
Albuquerque fez essa declaração para sensibilizar os poucos senadores presentes a ajudar no aumento de recursos no Orçamento da União para as Forças Armadas. A garantia de três refeições diárias a qualquer cidadão é um dos bordões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na posse, em janeiro de 2003, Lula disse que estaria satisfeito se, ao final do mandato, todos os brasileiros pudessem fazer três refeições por dia.
Os comandantes da Marinha, Roberto Carvalho, e da Aeronáutica, Luiz Carlos da Silva Bueno, também reclamaram das dificuldades orçamentárias. Bueno ponderou que o problema do contingenciamento "não é novidade do ministro Palocci, isso vem de longa data". "É o buraco negro, o próprio ministro está acostumado a falar disso", afirmou Bueno.
Já Carvalho considerou "surreal" a falta de munições e relatou que os projetos do reator nuclear e do enriquecimento de urânio da Marinha estão "estagnados" e em "estado vegetativo".
Todos os três comandantes alertaram que, se não houver aumento de recursos, as Forças Armadas correm risco de não conseguirem se recuperar no futuro. O general Albuquerque relatou que os militares do Exército só contam com 43 dos 227 itens de uma farda. "O uniforme para ir à rua não é mais distribuído", contou. Segundo o comandante, a idade média dos veículos do Exército é de 20 anos. "Quem dos senhores tem um carro particular com 20 anos e faz uma viagem com a certeza de que chegará?"
Durante a reunião, o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, defendeu proposta de emenda constitucional, em tramitação no Congresso que garante 2,5% do PIB para as Forças Armadas. Atualmente, Exército, Marinha e Aeronáutica gastam 1,5% do PIB.
A reunião contou com poucos senadores. No início do encontro, apenas seis senadores estavam presentes. Os três primeiros a falarem usaram o microfone para pedir desculpas por terem de se retirar. O senador Saturnino Braga (PT-RJ), presidente da comissão, sugeriu o adiamento da reunião ou que se discutisse o problema numa outra reunião marcada para comemorar o Dia do Marinheiro. O general Francisco Albuquerque reagiu: "Algumas abordagens devem ser restritas. Estamos tratando de segurança nacional". A reunião, então, foi mantida e durou cerca de cinco horas.
sexta-feira, novembro 25, 2005
Ministros brasileiros se venderam para a Microsoft
A denúncia é de Richard Stallman, guru da informática e um dos criadores da Fundação do Software Livre.
Em entrevista à Agência Brasil, o guru da informática Richard Stallman disse que o o programa brasileiro de adoção do projeto do software livre está sendo esvaziado por “traidores”.
Stallman insinuou que alguns ministros do governo Lula se renderam a ofertas da Microsoft, inimiga número um do movimento que abre o código fonte de programas de computadores para análise de desenvolvedores de todo os quadrantes do planeta.
“Um ministro se vender para uma empresa como a Microsoft é como se vender para outro país. É traição", declarou Stallman aos repórteres Lana Cristina e Spensy Pimentel, sem dar nome aos bois.
Para o criador da Fundação do Software Livre, o modelo de negócio não-proprietário é uma forma de promover a inclusão digital. "Adotar o software livre é como encorajar a sociedade a buscar liberdade", ele afirmou.
Na semana passada, Stallman recebeu um prêmio das mãos do ministro da Cultura Gilberto Gil, representante oficial do Brasil na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, que aconteceu recentemente em Túnis, capital da Tunísia.